Reportagem publicada em 28/09/2006 Última atualização 28/09/2006 19:10 TU

Os desafios do próximo governo do Brasil na área ambiental. Este é o tema desta sexta e última reportagem da série, que teve a colaboração de Pamela Valente. Foto : www.rondoniagora.com
Reportagem de nossa enviada especial ao Brasil, Leticia Constant
Agir contra desmatamentos e queimadas
Em Santarém, no Pará, o calor beira os quarenta graus, um grande risco para as queimadas, me explica « Seu » Minésio, o motorista de táxi que me conduz à sede do Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis. Antes de eu descer na frente do prédio antigo, em frente ao rio Tapajós, « Seu » Minésio me diz que todos os presidentes deveriam se preocupar com a Amazônia, muito esquecida lá no sul do Brasil. Após me identificar e passar pela segurança local, sou recebida pelo novo gerente executivo, Nilson da Silva Vieira, recém-empossado no cargo. Ainda perdido entre as pilhas de dossiês a serem examinados, ele declara sem hesitar: Acho que a principal prioridade do novo governo deve ser a adoção de políticas públicas que sejam direcionadas a um desenvolvimento que eu chamo de responsável. Isto inclui o ordenamento territorial da região, a adoção de medidas em andamento ligadas ao plano chamado BR 163 - área da rodovia Santém-Cuiabá – além do fortalecimento das unidades de conservação aqui da região, que necessitam de melhor estruturação.
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| Nilson da Silva Vieira, gerente-executivo do Ibama, reconhece que o plantio da soja está relacionado ao não-cumprimento da legislação ambiental. Foto: L.Constant |
Soja, o grão da discórdia
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| A cultura da soja exige áreas de grande extensão, o que vem causando o desmatamento ilegal da Amazônia. Foto: www.nature.org |
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| Dona Ana, de Alter do Chão, pediria ao próximo presidente que acabasse com as queimadas no Pará. Foto: LConstant |
Dona Ana Souza, que trabalha numa pousada em Alter do Chão, município de Santarém, é uma das paraenses que espera esse entendimento entre os gigantes da soja e os defensores do meio ambiente. Seu Estado é um dos mais atingidos pelos incêndios florestais. Dona Ana espera o fim das queimadas que ameaçam sua terra natal. Eu gostaria de pedir ao próximo presidente que não deixe que destruam nossa natureza tão linda…ela diz, timidamente.
Saúde: apostar em prevenção e saneamento básico
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| Caetano Scannavino Filho, da ONG Saúde e Alegria: « Falam que para cada real investido em saneamento, três são economizados em assistência médica. Quem sabe isso não possa ser adotado como uma política pública nacional … » Foto: L.Constant |
Caetano Scannavino Filho, coordenador do projeto, acha que a saúde ainda é um grande desafio no país. Para ele, não adianta apenas ter orçamento, é preciso estabelecer um plano de metas e prioridades. O que percebemos aqui na Amazônia, trabalhando há vinte anos com populações carentes, grandes distâncias e dificuldades de comunicação, é que os problemas são comuns aos das periferias urbanas das grandes cidades. Eu acho que uma das linhas prioritárias para se tentar começar a resolver o problema da saúde no Brasil, é a atenção no campo da prevenção e do saneamento básico. A grande incidência da mortalidade infantil decorre da diarréia e da desidratação, doenças possiveis de se prevenir. Se começarmos a desenvolver um trabalho de educação e saúde, a mobilizar a população em torno da prevenção e usar tecnologias alternativas para responder a algumas faltas de saneamento básico, com certeza os resultados serão imediatos, argumenta Caetano. Ele também esclarece que quando a criança de uma família carente chega a um hospital, a doença já está instalada no organismo. Isso implica em tratamentos, hospitalização e, por consequência, mais gastos. Se conseguirmos trabalhar com a prevenção, cortaremos o mal pela raiz. Além de estarmos assegurando vidas, estaremos otimizando os recursos públicos, que já são escassos, dada à magnitude do desafio da saúde no Brasil.
Abaré, o « amigo cuidador »
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| A dentista Fernanda Vogel Molina deixou São Paulo para implantar o serviço odontológico no barco-clínica Abaré. Foto: DR |
O desafio maior do futuro governo, de apoiar o desenvolvimento ambiental de forma sustentável, não vai acontecer de um dia para outro. A Amazônia é uma região de conflitos históricos, onde algumas ações ilegais existem de forma estrutural. A presença dos três Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário - é fundamental. (Tiberio Allogio, coordenador das relações intercomunitárias e institucionais da ONG Saúde e Alegria)
28/09/2006
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