Reportagem publicada em 02/09/2008 Última atualização 03/09/2008 16:51 TU

Da esquerda à direita : o chefe da diplomacia européia Javier Solana, o ministro francês das Relações Exteriores Bernard Kouchner, o presidente francês Nicolas Sarkozy, o presidente da Comissão Européia José Manuel Barroso.
Foto: Reuters
O vice-presidente norte-americano, Dick Cheney, inicia nesta terça-feira uma viagem para acalmar os aliados dos Estados Unidos. Além do presidente georgiano, Mickeil Sakachvili, Cheney vai se encontrar com os líderes da Ucrânia, Azerbaijão e com o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi. Na pauta das reuniões está a preocupação sobre a questão do fornecimento de energia russa aos países europeus.
A viagem de Cheney acontece um dia depois da União Européia (UE) ter decidido congelar as negociações com a Rússia enquanto as tropas do país permanecerem na Geórgia. Em reunião extraordinária nesta segunda-feira em Bruxelas, na Bélgica, a UE condicionou suas futuras relações com a Rússia ao respeito de Moscou ao acordo de paz firmado com a Geórgia.
Os líderes europeus preferiram não provocar o Kremlin e desistiram de impôr sanções econômicas. No entanto, eles condenaram a decisão do presidente russo Dmitri Medvedev de reconhecer a independência das regiões separatistas da Geórgia, a Abkházia e a Ossétia do Sul.
Além de financiar a reconstrução do país, a Europa também estaria pronta a discutir um acordo de livre-comércio e a facilitar a obtenção de vistos para os cidadãos georgianos.
Em meados de outubro, mais 200 observadores europeus devem desembarcar no país. Eles vão supervisionar a implementação do acordo de cessar-fogo, negociado pela presidência francesa da UE.

O presidente georgiano Mikheil Sakachvili durante as manifestações de ontem em Tbilissi.
Foto: Reuters
Em nome do bloco, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, enfatizou que o encontro em Bruxelas não foi uma reunião contra a Rússia. Mas questionou se o Kremlin busca uma relação de parceria ou desconfiança. E é justamente esta relação UE-Rússia que será reexaminada em novembro, na próxima reunião dos líderes. Se até lá Moscou não cumprir o acordo de paz firmado com a Geórgia, os russos correm o risco de ter as negociações comerciais com a Europa suspensas.
O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, informou que as reuniões de trabalho com a Rússia serão adiadas enquanto as tropas do país permanecerem na Geórgia. A próxima rodada de negociações estava prevista para o dia 15 de setembro.
Na segunda-feira que vem, Sarkozy e o Alto Representante para a Política Externa do bloco, Javier Solana, desembarcam em Moscou para dar mais uma chance para a diplomacia.
O governo russo afirmou hoje lamentar o adiamento das negociações com a UE e declarou que as relações entre os dois parceiros não deveriam ser “reféns das divergências dentro da UE”.
ÁUDIO
Correspondente da RFI em Bruxelas
“A cautela da União Européia é compreensível: os europeus estão divididos sobre a posição a manter em relação à Rússia”
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