Reportagem publicada em 28/11/2008 Última atualização 01/12/2008 10:52 TU

Para comemorar o centenário de Lévi-Strauss, o museu do Quai Branly, em Paris, dedica um dia inteiro em sua homenagem.
Foto: Quai Branly/Divulgação
Em uma entrevista concedida alguns anos atrás, o filósofo e antropólogo francês Claude Lévi-Strauss disse que, para evitar e senilidade, a vida deveria passar ao contrários, ou seja, começaríamos neste mundo como velhos e terminaríamos jovens.
A brincadeira foi feita em uma das últimas entrevistas concedidas por Lévi-Strauss, que nasceu em Bruxelas há exatos cem anos e é considerado como o maior intelectual francês vivo.
Neste século, o Brasil marcou a vida pessoal e profissional do homem que mudou a forma de se estudar antropologia no mundo.
Na década de 30, Lévi-Strauss foi convidado para dar aulas na Universidade de São Paulo. Durante sua estadia no país, o antropólogo francês passou diversos períodos convivendo com tribos indígenas no Mato Grosso e na Amazônia. A experiência foi o embrião de Tristes Trópicos, livro publicado em 1955 e marco do estruturalismo antropológico, corrente que transformou o estudo da matéria em todo o mundo.Para comemorar o centenário de Lévi-Strauss, o museu do Quai Branly, em Paris, dedica um dia inteiro em sua homenagem. No programa estão previstas leituras de algumas de suas obras e documentários sobre sua vida. Também estão expostos objetos ligados às diferentes populações e lugares visitados pelo antropólogo, além de fotografias.
Várias personalidades do mundo das letras e das artes estão reunidas no museu parisiense para festejar a ocasião, entre eles os antropólogos brasileiros Aparecida Vilaça e Carlos Fausto.
Apesar dos cem anos e de sofrer de Mal de Parkinson, Claude Lévi-Strauss continua lutando pela defesa da diversidade cultural e pela proteção dos povos indígenas.
"Imagine pessoas vivendo da pequena agricultura, da pesca e da caça (…), que conseguem subsistir e que podem consagrar a metade de seu tempo para se decorar, se ornamentar de penas magníficas (…), colares, de dentes de animais selvagens (…), de unhas de tatus e que cantam e dançam durante horas. Isso é, em si mesmo, estonteante".
Claude Lévi-Strauss
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