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"Viva Favela"

Livro francês retrata comunidade cearense

Reportagem publicada em 15/10/2009 Última atualização 17/10/2009  17:08 TU

Capa do livro "Viva Favela", lançado na França.Foto: DR

Capa do livro "Viva Favela", lançado na França.
Foto: DR

Uma experiência sócio-econômica desenvolvida na periferia de Fortaleza interessou jornalistas franceses que lançaram, em Paris, o livro "Viva Favela - quando os mais pobres assumem as rédeas de seu destino", em tradução livre.

O livro relata a experiência do Conjunto Palmeiras, que atualmente é um bairro de classe média baixa na capital do Ceará, mas que até os anos 80 era apenas mais uma favela onde as pessoas viviam em barracos de lona.

A mudança de realidade é contada no livro por Joaquim Melo, um ex-seminarista que se mudou para a favela e ajudou os moradores a se organizarem para mudar de vida.

Urbanização e Banco

Primeiro, eles conseguiram, graças a mutirões e a reivindicações feitas às autoridades, urbanizar a favela. Grande vitória, mas o bairro Conjunto Palmeiras começou a se tornar caro demais para alguns moradores, que vendiam suas casas e iam morar em favelas em outras regiões.

Foi então que Joaquim Melo teve a iniciativa de procurar entender porque as pessoas eram pobres e tentar mudar sua realidade.

“Perguntamos às pessoas o que elas consumiam por mês. Fizemos as contas dos gastos com compras que faziam fora da comunidade e percebemos que 3 mil famílias movimentavam cerca de R$1,7 milhão. Aí decidimos criar um banco próprio”, lembra Joaquim.

O passo seguinte foi criar uma moeda local, chamada Palmas, para que fosse usada na própria comunidade.

“Se tiverem 50 reais no bolso, as pessoas gastam o dinheiro em outro lugar devido ao apelo da propaganda e publicidade. A moeda local garante que o dinheiro fique na comunidade”, explica o ex-seminarista.

Exemplo

A moeda Palmas foi criada para os moradores do Conjunto Palmeiras gastarem seu dinheiro na própria comunidade. Foto: www.bancopalmas.org.br

A moeda Palmas foi criada para os moradores do Conjunto Palmeiras gastarem seu dinheiro na própria comunidade.
Foto: www.bancopalmas.org.br

O livro "Viva Favela" foi escrito por dois jornalistas franceses, Elodie Bécu e Carlos de Freitas que vêem nessa história tipicamente brasileira um exemplo para os bairros pobres franceses e as autoridades do país.

“A situação das favelas no Brasil é igual à de muitos bairros periféricos da França; a exclusão é a mesma e eles também viajam para as grandes cidades para fazer compras e gastar dinheiro”, explica Carlos de Freitas.  “Os poderes públicos franceses podem se inspirar na metodologia desenvolvida no Conjunto Palmeiras”, completa.

Hoje, graças ao Banco Palmas, existem 47 bancos comunitários em nove estados brasileiros, sempre em comunidades pequenas, pobres e isoladas, que não teriam acesso de outra forma ao sistema bancário.

Mais informações: www.bancopalmas.org.br/

(Reportagem de Pamela Valente)

Joaquim Melo, idealizador do Banco comunitário Palmas

15/10/2009