publicite publicite
Busca

/ languages

Choisir langue
 
Annonce Goooogle
Annonce Goooogle

Saúde

Vacina contra a malária pode sair até 2012

Reportagem publicada em 05/11/2009 Última atualização 05/11/2009  18:45 TU

A malária atinge mais de 3,2 milhões de pessoas em todo o mundo. A África subsahariana é a região onde se concentra a maioria dos casos.Foto: OMS/P. Virot

A malária atinge mais de 3,2 milhões de pessoas em todo o mundo. A África subsahariana é a região onde se concentra a maioria dos casos.
Foto: OMS/P. Virot

Uma vacina contra a malária já disponível em 2012 ? A hipótese já vem sendo tratada com muito otimismo pelos cientistas e pelo laboratório GlaxoSmithKline que desenvolve a RTS,S, considerada a mais avançada candidata a uma vacina contra a malária.

O anúncio de que a pesquisa para a  primeira vacina contra a doença entrou na fase 3 de testes, o que significa a fase de confirmação de resultados clínicos que já demonstraram a eficácia do produto, foi feito em Nairobi, capital do Quênia, onde acontece a 5° Conferência Pan Africana sobre a Malária.

A vacina está sendo desenvolvida especificamente para a África, região do mundo onde a doença deixa mais de 800 mil mortos por ano, a maioria crianças com menos de 5 anos de idade.  É nesta região do mundo que atua a forma mais mortífera do parasita responsável pela doença: o plasmodium falciparum.

Há mais de 20 anos a comunidade científica trabalha na elaboração de uma vacina contra a malária e os resultados promissores vieram com os testes envolvendo, entre outros países, Moçambique, onde a partir de 2002, mais de duas mil crianças participaram das fases anteriores da pesquisa. 

“Os resultados com crianças de 1 a 4 anos demonstraram que o produto era seguro, assim como qualquer outra vacina que se administra a uma criança, e também que promoveram uma resposta imunológica”, afirma o médico Eusébio Macete, do Centro de Pesquisa Manguiça que acompanhou a participação dos moçambicanos nos testes.

"A eficácia da vacina foi de cerca de 30% e, nos casos severos de malária, o índice era de quase 50%”, diz o médico.

Fase 3

A fase 3, que vai avaliar a eficiência da vacina, vai  ser feita com um número maior de crianças e envolver 7 países : Moçambique, Burkina Faso, Gabão, Ghana, Malauwi, Quênia e Tanzânia.

Serão 16 mil crianças, divididas em dois grupos : o primeiro grupo envolve bebês entre 6 e 12 semanas  que serão vacinadas respeitando o calendário de vacinação infantil desenvolvido pela OMS, a Organização Mundial da Saúde.

A malária é transmitida ao homem pelo mosquito. Foto: Instituto Pasteur

A malária é transmitida ao homem pelo mosquito.
Foto: Instituto Pasteur

O segundo grupo terá entre 5 e 17 meses de idade.  A faixa etária se explica porque as crianças com menos de 5 anos de idade são as mais vulneráveis para adquirir a doença. 

A pesquisa foi elaborada levando-se em consideração parâmetros de segurança e ética de cada país envolvido, com a supervisão e consulta das principais agências que regulamentam a entrada de medicamentos no mercado, assim como a OMS.

"Nós começamos a fase 3 na África em maio deste ano em sete países que registraram o parasita plamosium falciparum. Atualmente já temos mais de 5 mil crianças que já receberam a primeira dose da vacina. Nossa previsão é de que enviaremos essa vacina para aprovação até 2012, o que quer dizer que a vacina poderá ser disponível e introduzida na África daqui a 3 ou 4 anos". diz Sophie Biernaux, diretora do programa Malária do departamento de vacinas do laboratório Glaxo Smith Kline.   

Apoio financeiro

O desenvolvimento da vacina foi feito nos laboratórios da GlaxoSmith Kline na Bélgica que iniciou suas primeiras pesquisas nos anos 80.

Os avanços nos testes e estudos ganharam um forte apoio econômico da fundação Bill e Melinda Gates que investiu mais U$200 milhões no projeto. A Glaxo Smith Kline que já investiu U$300 milhões de dólares, prevê ainda desembolsar outros U$100 milhões para concluir a fase final da primeira vacina que será disponibilizada apenas para a África. 

Outras regiões que também convivem com a malária deverão esperar um pouco mais.  Em país como o Brasil, Índia e Sri Lanka a maior incidência é com o parasita plasmodium vivax. Segundo Sophie Biernaux, o objetivo foi "combater a variante responsável na região que concentra mais de 90% dos casos de malária no mundo".

ÁUDIO

Elcio Ramalho, jornalista da RFI

05/11/2009