Reportagem publicada em 19/11/2009 Última atualização 20/11/2009 14:55 TU

Ex-ativista Cesare Battisti espera decisão de extradição do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
Foto: Reuters
Grande expectativa na Itália após a decisão do Supremo Tribunal Federal brasileiro sobre a extradição de Cesare Battisti. Após o desempate, por cinco votos a quatro, anunciado na noite de quarta-feira, o destino do ex-ativista italiano, condenado pelo assassinato de quatro pessoas na década de 70, na Itália, está nas mãos do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao contrário do que está sendo dito no Brasil, alguns especialistas acreditam no peso geopolítico da decisão do chefe de Estado. Para o presidente do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone de Ciências Criminais, Wálter Fanganiello Maierovitch, "Lula tem pretenções de conseguir uma cadeira para o Brasil no conselho de segurança da ONU e aqui na Itália fala-se até da possibilidade de que ele possa dirigir a FAO, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação. Então todo o seu papel de líder internacional vai ser levado em conta".
A imprensa italiana deu destaque à decisão do STF. Os jornais Corriere della Sera, La Stampa e La Repubblica lembram que durante sua visita à Roma no fim de semana, o presidente Lula havia declarado que seguiria a decisão do tribunal. O diário Il Fatto Quotidiano alerta para a hipótese de que a extradição de Battisti não se realize rapidamente. Segundo o jornal, os advogados de defesa do ex-ativista político podem apresentar uma petição ao presidente Lula para impedir a saída de Battisti do Brasil por razões humanitárias, alegando as condições precárias de saúde do prisioneiro.
O irmão de Cesare Battisti, Domenico Battisti, teme que o ex-ativista tente se suicidar caso sua extradição seja consumada. O prisioneiro já está em greve de fome desde o dia 13 de novembro.
Nos meios políticos italianos a decisão do STF foi recebida com satisfação. Os ministros das Relações Exteriores Franco Frattini e da Justiça Angelino Alfano enfatizaram o peso da sentença nas relações diplomáticas ítalo-brasileiras. Eles esperam que Lula não contrarie as expectativas do governo italiano. Já as famílias envolvidas no processo mostram prudência e declaram que a decisão do STF restitui o respeito à memoria da vítimas, mas esperam que o ex-ativista cumpra realmente a sentença de prisão pronunciada na Itália.
"Lula tem pretenções de conseguir uma cadeira para o Brasil no conselho de segurança da ONU e aqui na Itália fala-se até da possibilidade de que ele possa dirigir a FAO. Então todo o seu papel de líder internacional vai ser levado em conta".
"Irmão de Battisti teme que o ex-ativista tente suicídio para evitar a extradição".
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