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Imprensa europeia critica escolha de dirigentes sem peso político

Reportagem publicada em 20/11/2009 Última atualização 20/11/2009  11:31 TU

A imprensa belga saúda unanimemente a consagração do primeiro-ministro Herman Van Rompuy para o posto de primeiro presidente da União Europeia, mas se mostra preocupada com as consequências do afastamento de Van Rompuy da política interna da Bélgica. Van Rompuy é considerado um homem hábil e conciliador para tratar das tensões entre flamengos e francófonos. Político da região de Flandres, ele conseguiu controlar, no último ano, a grave crise institucional que ameaça a Bélgica de divisão.

A imprensa europeia explora o perfil "excessivamente" discreto de Van Rompuy e questiona se o premiê belga e a britânica Catherine Ashton, a nova chefe da diplomacia do bloco, terão força suficiente para colocar em primeiro plano os dois novos cargos criados pelo Tratado de Lisboa.

O jornal de esquerda francês Libération se refere a Van Rompuy como um "presidente decorativo". O conservador Le Figaro pergunta se Van Rompuy será um organizador, um conciliador ou um líder que vai falar de igual para igual com Barack Obama e Hu Jintao.

O jornal espanhol El Mundo, de centro-direita, também tem suas dúvidas. "Dois desconhecidos no cenário europeu e ainda mais no internacional, com pouca experiência em política estrangeira, os dois novatos vão representar os 27 países do bloco", nota com preocupação El Mundo.

A imprensa alemã acha que o novo presidente e a nova chefe da diplomacia são incapazes de representar uma voz forte na Europa. O jornal alemão de esquerda Frankfurter Rundschau diz que a "União Europeia escolheu representantes sem brilho, sem visão e sem a experiência necessária".

A imprensa britânica também é bastante crítica. O Financial Times, por exemplo, afirma que as escolhas do belga e da britânica "são uma decepção para os que gostariam de dar mais peso à Europa no cenário mundial".