Reportagem publicada em 20/11/2009 Última atualização 21/11/2009 16:13 TU

Menino palestino é fotografado em Nablus diante de cartaz de Mahmoud Abbas criado para celebrar o aniversário da declaração de independência simbólica decretada por Yasser Arafat em novembro de 1988.
Foto: Reuters
O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANL), Mahmoud Abbas, confirmou o adiamento das eleições presidenciais e legislativas inicialmente marcadas para 24 de janeiro. Em entrevista divulgada pelo serviço em árabe da BBC, Abbas disse que vai tomar medidas para evitar um vazio constitucional quando terminar o seu mandato e o dos deputados palestinos, no dia 25 de janeiro.
Abbas, que chegou ontem ao Brasil para uma visita de três dias, voltou a dizer que não vai disputar a reeleição apesar dos inúmeros apelos feitos pelos países europeus para que ele não desista da liderança palestina. Próximo de encerrar seu segundo mandato à frente da ANL, Abbas não conseguiu obter avanços concretos na retomada das negociações de paz com o governo de Israel e ainda viu o adversário Hamas tomar o governo na Faixa de Gaza. Na semana passada, o movimento islâmico palestino informou a comissão eleitoral que não iria permitir a votação em sua área de controle.
Abbas evitou comentar se vai prorrogar seu mandato à frente da Autoridade Palestina, cuja influência de poder ficou restrita à Cisjordânia. "Talvez as eleições sejam adiadas por um ano ou menos", disse o líder palestino.
Apoio do governo brasileiro no Conselho de Segurança
Um dos objetivos da atual visita de Abbas ao Brasil é buscar apoio a uma eventual declaração unilateral de independência do Estado palestino. O escritor e sociólogo paulista Lejeune Mirhan, especialista em mundo árabe, disse em entrevista à RFI que a situação dos palestinos fica cada vez mais difíficil e esta seria uma das alternativas de ação diante do impasse atual. "A paz com Israel é inviável", afirma o sociólogo, que comenta também a decepção do mundo árabe com a atuação do presidente norte-americano, Barack Obama, nas negociações para a retomada do processo de paz. Outra opção da ANL, segundo Mirhan, seria decretar a autodissolução, o que representaria "um golpe terrível" para os Estados Unidos.
O governo brasileiro tem procurado exercer influência diplomática na reconciliação do Oriente Médio. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, chega ao país na próxima segunda-feira, apenas duas semanas depois de uma visita do presidente de Israel, Shimon Peres. Com uma posição muito mais conciliadora em relação ao programa nuclear iraniano do que outras nações ocidentais, o Brasil afirma que o diálogo com o governo iraniano propicia mais chances de avanço na questão nuclear e na paz no Oriente Médio.
(Reportagem de Lúcia Fróes)
Escritor e sociólogo especializado em mundo árabe
Leia também:
Repórter on line
19/03/2010 12:39 TU
19/03/2010 11:43 TU
19/03/2010 11:26 TU
18/03/2010 16:34 TU
16/03/2010 13:51 TU
Repórter online
Esportes
Cotações + Meteorologia