Reportagem publicada em 04/12/2009 Última atualização 05/12/2009 16:17 TU
A aproximação do Brasil com o Irã tem sido alvo de críticas na imprensa americana. Para alguns analistas, o governo brasileiro exagera no excesso de pragmatismo na sua relação com governos autoritários. De acordo com uma reportagem publicada no Wall Street Journal na quarta-feira, o presidente americano Barack Obama estaria decepcionado com Lula. “O Brasil está cada vez mais próximo de nações populistas, que formam uma facção antiamericana na região, como Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua”, diz o texto.
Segundo o historiador Luis Felipe Alencastro, professor de história do Brasil na Universidade Sorbonne, na França, "não há nenhum país no mundo que desenvolva sua política externa baseada somente em relações comerciais. Sempre há uma discussão mais global sobre as relações bilaterais." Sobre a reportagem do Wall Street Journal, Alencastro lembra que a imprensa americana tem posições diferentes e pondera. Segundo ele, o jornal The Economist, conservador, considera que a visita de Ahmadinejad ao Brasil, abre “uma nova porta de acesso entre o Irã e os Estados Unidos." A questão dos direitos humanos, argumento utilizado pelos EUA para criticar a diplomacia brasileira, também é um ponto contraditório, diz Alencastro. "Os EUA botam tapete vermelho e cavalaria, e batem continência para receber o presidente chinês Hu Jintao, que é uma grande ditadura, que fuzilou muçulmanos que protestaram contra a repressão."
“Rússia e EUA não têm autoridade moral”
Na Alemanha, o presidente Lula não minimizou as críticas sobre a política internacional em relação ao Irã. Durante uma entrevista coletiva ao lado da chanceler Angela Merkel, nesta quinta-feira, Lula disse que falta "autoridade moral" para a Rússia e os Estados Unidos exigirem mais sanções contra o Irã, salientando que os dois países deveriam reduzir seus arsenais –uma negociação que na verdade já está acontecendo.
Em um comunicado conjunto, Brasil e Alemanha manifestaram a esperança de que o Irã não abandone as negociações com as potências ocidentais. Angela Merkel ainda afirmou que há quatro anos o Irã tem violado acordos internacionais e a recusa da oferta da AIEA, que prevê enriquecimento de urânio iraniano no exterior, exige uma postura mais rígida da comunidade internacional.
Nesta quinta-feira, o chanceler Celso Amorim também se encontrou com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, em Isfahan. Amorim levou ao Irã a preocupação do governo brasileiro com o possível abandono das negociações com o Ocidente e a Agência Internacional de Energia Atômica, a AIEA. O presidente iraniano esteve dia 23 no Brasil e na ocasião, Lula o chamou de ‘amigo’, defendendo o uso da tecnologia nuclear para fins pacíficos.
ÁUDIO
Repórter on line
19/03/2010 12:39 TU
19/03/2010 11:43 TU
19/03/2010 11:26 TU
18/03/2010 16:34 TU
16/03/2010 13:51 TU
Repórter online
Esportes
Cotações + Meteorologia