Reportagem publicada em 10/12/2009 Última atualização 10/12/2009 15:02 TU

Familiar mostra foto de uma vítima do amianto. No cartaz, está escrito: "Justiça para o massacre da Eternit".
Foto: AFP
Abertura hoje em Turim, na Italia, de um megaprocesso do amianto.
Dois ex-diretores da empresa Eternit estão no banco dos réus, diante de milhares de vitimas. O processo do que vem sendo chamado de "o maior crime industrial do século 20" tem início nesta quinta-feira, em Turim, no norte da Italia.
O bilionário suíço Stephan Schmidheiny e o barão belga Jean-Louis Ghislain de Cartier de Marchienne, ex-dirigentes da multinacional Eternit, são acusados de ter violado regras de segurança no trabalho e provocado intencionalmente a morte de maid duas mil pessoas.
As vítimas eram, na maioria, funcionários ou familiares de empregados que trabalhavam em fábricas da Eternit na Itália e que tiveram contato com o amianto.
O produto, hoje reconhecidamente cancerígeno, foi amplamente utilizado na indústria no último século, antes de ser progressivamente proibido.
Na Itália, o uso do amianto foi vetado por lei apenas em 1992, seis anos depois do fechamento da última fábrica da Eternit no país, na cidade de Casale Monferrrato, a mais afetada pelo drama, com cerca de 1.500 mortes ligados ao produto.
As doenças originadas do contato com o amianto podem não se manifestar por cerca de 40 anos. A ação penal coletiva contra os ex-dirigentes da Eternit é movida por quase 3 mil pessoas. Eles querem provar que a direção da empresa conhecia os riscos e negligenciou a saúde de seus empregados e dos habitantes das cidades onde estavam as fábricas.
Os dois ex-dirigentes, que não se apresentaram na abertura do processo, nesta quinta-feira, podem pegar penas de prisão entre 3 e 12 anos.
As vítimas vão pedir indenizações de mais de 250 milhões de euros, aproximadamente 750 milhões de reais.
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