Reportagem publicada em 19/01/2010 Última atualização 19/01/2010 16:32 TU

O ex-presidente americano Bill Clinton ajuda a descarregar as provisões de um avião no aeroporto de Porto Príncipe.
Foto: Reuters
Uma semana depois do terremoto no Haiti, a coordenação e a distribuição do material continua confusa na capital. O acesso à alimentação, água potável e medicamentos continua restrito e o risco de epidemia também é elevado. O enviado especial da Folha de S.Paulo ao Haiti, Fabiano Maisonnave, acompanhou uma distribuição de provisões. Segundo ele, a ação foi “sem estratégia e caótica", e o local, escolhido aleatoriamente. A ONU, que enviará mais 3500 soldados à região, pretende criar dois corredores humanitários ligando Porto Príncipe ao norte do Haiti e à República Dominicana, melhorando a distribuição de ajuda às vítimas. A esperança de encontrar novos sobreviventes é cada vez menor. Até agora, 90 pessoas foram retiradas com vida dos escombros, entre eles um bêbe de 5 meses e duas estudantes, resgatadas nesta terça-feira. A ONU ainda tem esperanças de salvar novas vidas.
O balanço da tragédia ainda é incerto. Pelo menos 70 mil corpos já foram enterrados e o número de mortos pode chegar a 200 mil. As Nações Unidas sofreram um grande baque: 500 funcionários estão desaparecidos e 46 morreram, entre eles o brasileiro Luiz Carlos da Costa, segunda maior autoridade civil da ONU no Haiti. Outros 19 militares brasileiros morreram na tragédia.
Comunidade internacional desmente tensão com os EUA
A ajuda humanitária e financeira continua sendo enviada ao país. Segundo o Programa Alimentar Mundial, 105 mil refeições já foram distribuídas desde o dia 12 de janeiro. Os Estados Unidos assumiram o controle da ajuda humanitária no Haiti, uma atitude que gerou diversas críticas. O governo francês chegou a protestar junto à representação diplomática norte-americana : um avião transportando um hospital de campanha não pôde aterrissar no aeroporto da capital Porto Príncipe, controlado pelos militares norte-americanos.Neste terça-feira, entretanto, o secretário de estado para a cooperação, Alain Joyandet, minimizou a polêmica, dizendo que a "França está satisfeita com a cooperação entre os dois países." Uma aeronave brasileira também teve dificuldades de aterrissar e o Brasil, que chefia militarmente a Minustah, a Missão de Establização das Nações Unidas no Haiti, também estaria tendo atritos com os EUA, segundo Maisonnave.
ÁUDIO
"Existe um excesso de boa vontade e de egos entre países, cada um disputando seu protagonismo na ajuda, mas a distribuição é bastante caótica."
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