Reportagem publicada em 11/03/2010 Última atualização 12/03/2010 10:09 TU

Os servidores gregos saíram as ruas das principais cidades da Grécia para se manifestar contra o plano de austeridade que reduz os salários reais.
Foto: Reuters
Uma nova greve geral paralisa a Grécia desde a meia noite desta quinta-feira. É o segundo protesto em quinze dias contra as medidas de austeridade lançadas pelo governo para tentar domar a crise financeira que assola o país. O movimento de 24 horas provocará o fechamento de escolas, hospitais, e locais turísticos, como a Acrópolis, em Atenas. Cerca de 1500 policiais estão mobilizados na capital para evitar incidentes violentos, como ocorreram na semana passada, entre manifestantes e policiais.
O pacote de austeridade para reduzir o déficit publico grego inclui medidas impopulares como o congelamento de aposentadorias e salários, além do aumento de impostos. Paralelamente, aumenta a pressão contra os especuladores, acusados de terem agravado a situacao na Grécia. A Alemanha, a França e o presidente do Eurogrupo querem que a Comissão Europeia proíba algumas operações de venda de ações e regulamente os chamados CDS ou swaps, os seguros que garantem os investimentos dos compradores perante uma eventual falta de pagamento. É a especulação com esses produtos, por parte de bancos americanos e fundos de investimentos que agrava a crise financeira na Grécia. Os swaps representam um enorme mercado, altamente especulativo, e o problema é que eles não têm vínculo com os títulos que eles dão cobertura.
O premiê grego, Georges Papandreou, esteve esta semana nos Estados Unidos para pedir ao presidente Barack Obama que também combata a ação dos especuladores, acusados de acentuar a crise financeira na Grécia. As autoridades europeias suspeitam que o Goldman Sachs e outros bancos americanos estejam por trás de operações especulativas que apostam na falência da Grécia. O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, estuda a possibilidade de proibir algumas operações de venda de ações, como pediram Merkel e Sarkozy, para frear os ataques especulativos contra a dívida soberana dos países da zona euro.
Quanto à criação de um Fundo Monetário Europeu, para socorrer os países em crise, o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker disse hoje que a ideia ainda exige muita discussão.
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