Reportagem publicada em 11/03/2010 Última atualização 12/03/2010 14:36 TU
O ministro brasileiro do Meio Ambiente, Carlos Minc, participou nesta quinta-feira da Conferência Internacional sobre Áreas Florestais em Paris, com representantes de mais de 60 países. O encontrou discutiu o combate ao desmatamento de florestas, ação que produz 20% das emissões mundiais de gás de efeito estufa.
Em entrevista, ao final do evento, Minc anunciou que, nos próximos três anos, os recursos para o financiamento de projetos de gestão sustentável das florestas, o chamado REED (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal, na sigla em inglês), vão passar de U$ 3,5 bilhões (recursos anunciados na Conferência de Copenhague, em dezembro) para cerca de U$ 4,5 bilhões, já somadas as ofertas concretas confirmadas por vários países durante o evento em Paris.
Como o Brasil abriga a Amazônia, a maior tropical do planeta, deve receber 40% dos recursos gerados pelo financiamento. Minc ainda anunciou uma nova meta para a diminuição do desmatamento na região, estabelecida inicialmente em 80%.
Segundo ele, o governo acredita que até 2020 seja possível obter uma queda de 90%. “Não temos que esperar que a ONU resolva tudo para começar o Reed. Tem recursos, tem a decisão de fazer e a vontade. O Brasil é um dos países que tem isso mais avançado, no manejo florestal empresarial e o manejo florestal comunitário”, disse.
O ministro brasileiro também disse que o Brasil vai ajudar a África, por exemplo, no monitoramento do desmatamento, utilizando os satélites do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). O país ainda irá ajudar no treinamento do manejo florestal comunitário, com o objetivo, em suas palavras, de reconstruir “corredores de biodiversidade.”
França
O presidente francês, Nicolas Sarkozy fez o discurso de abertura da Conferência, defendendo que o combate ao desmatamento seja gerenciado pela ONU e não pelo G8 ou o G20. Ele disse que o problema não é exclusivo dos países do sul, e nem todos eles têm os recursos necessários para esse combate. Segundo o presidente francês, os países do norte devem colaborar financeiramente.
O ministro Carlos Minc declarou que os representantes dos países presentes na Conferência decidiram começar imediatamente a implementação e coordenação de experiências independentemente da ONU, mas tentando se integrar com as Nações Unidas. "Não vamos esperar a (Conferência) do México, para começar a tocar isso (os projetos)", disse.
Em dezembro, os países voltam a se reunir emm Cancún para a grande Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, dedicada ao combate ao aquecimento global.
Cerca de 13 milhões de hectares de floresta, o equivalente ao tamanho da Grécia, desaparecem no mundo a cada ano.
ÁUDIO
"Vamos além daquela meta dos 80%, correspondente à diminuição desmatamento da Amazônia. Não é oficial, mas o Ministério avalia que podemos chegar a uma queda de 90% em 2020."
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