Reportagem publicada em 12/03/2010 Última atualização 13/03/2010 14:47 TU

Até o momento, os investigadores não conseguiram localizar as caixas-pretas do A330 da Air France.
Foto: Reuters
Duas associações de famílias das vítimas do voo 447 Rio-Paris entrevistados pela Rádio França Internacional nesta sexta-feira, disseram que a condenação da Air France pela justiça brasileira abrirá as portas para que outras famílias de vítimas sejam indenizadas.
A justiça do Brasil condenou a Air France a uma indenizaçao no valor de R$ 2 millhões à família de Marcelle Valpaços Fonseca, uma das 228 vítimas do acidente com o Airbus A330 que caiu no Oceano Atlântico no dia 31 e maio do ano passado.
A indenização foi a primeira concedida até o momento a famílias de vítimas da catástrofe. A assessoria de imprensa da Air France, contatada pela Rádio França Internacional, disse que ainda é cedo para comentar a condenação.
Em seu parecer, o juiz Mauro Nicolau Júnior afirma que a perda de filha e irmã em pleno início de idade adulta, quando a família teria oportunidade de acompanhar o desabrochar de uma nova família e carreira, representa uma perda irreparável.
O juiz considera um agravante o fato de que a queda do Airbus foi a maior tragédia da aviação civil no Brasil e uma das maiores no mundo, e "se deveu,em grande parte, pela conduta negligente da ré", no caso a Air France.
A companhia francesa deverá pagar uma pensão de R$ 19 mil por mês aos pais da procuradora, por um período de 540 meses, já que Marcelle contribuía mensalmente com cerca de 2 mil reais para o sustento dos pais.
Tratamento igual
Jean-Baptiste Audousset, presidente da Associação Entraide et Solidarité AF447 (Ajuda mútua e Solidariedade, em francês) considera que decisão judicial foi à altura do drama vivido pelas famílias das vítimas.
“Seria incompreensível que para Air France a dor de um pai, de um marido ou um filho não tenha o mesmo valor ou o mesmo reconhecimento independentemente de sua nacionalidade. O tratamento deve ser igual para todas as famílias", diz ele.
”É preciso saber que há famílias que tem órfãos e famílias que estão em uma situação financeira difícil, por isso é preciso poder reagir muito rápido.” afirma.
Audousset disse a ainda que nada impede a justiça francesa de aplicar indenizações comparáveis nos casos julgados no país. A associação conta com uma equipe de advogados que representa cerca de 60 famílias de vítimas da tragédia.
Já para o advogado Sylvain Maier, da Associação pela verdade e defesa dos direitos da vítima do voo 447 a decisão da justiça brasileira é um motivo de satisfação.
"A decisão aber as portas para que outras famílias também sejam indenizadas", disse.
Maier também criticou a falta de comunicação da Air France com as famílias das vítimas citando o exemplo de que foi pela imprensa que elas souberam do adiamente da terceira fase das buscas.
Nesta quinta-feira a agência francesa de investigação para a aviação civil , anunciou um adiamento da terceira fase de buscas das caixas pretas do avião. O motivo alegado são dificuldades administrativas e técnicas provocadas pelo mau tempo na zona de buscas.
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