Reportagem publicada em 13/03/2010 Última atualização 13/03/2010 17:13 TU

O papa Bento 16 já havia condenado os casos de pedofilia envolvendo a Igreja Católica.
Foto : Reuters
O Vaticano lançou neste sábado uma contra-ofensiva para enfrentar a enxurrada de escândalos recentes ligados a acusações da pedofilia que têm manchado a imagem da Igreja Católica na Europa.
O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, tentou, neste sábado, minimizar as acusações e criticou o que caracterizou como uma campanha obstinada contra o papa Bento 16.
"É evidente que, nos últimos dias, tem gente que procurou com uma certa obstinação, em Ratisbonne e Munich, elementos para envolver pessoalmente o papa em questões de abusos, mas é evidente que esses esforços fracassaram", afirmou.
Ao evocar as duas cidades alemãs, o porta-voz se referia aos escândalos de pedofilia revelados no coral de Ratisbonne, dirigido entre 1964 e 1994 por Georg Ratzinger, irmão de Bento 16, e às críticas dirigidas ao próprio papa por ter hospedado em 1980, quando estava à frente da arquidiocese de Munich, um padre suspeito de pedofilia. Apesar das acusações e denúncias, o padre acabou sendo indicado para ocupar uma das paróquias da arquidiocese.
A imprensa alemã se mostrava dividida neste sábado. Alguns jornais se perguntavam se Bento 16 sabia que o padre, que mais tarde, em 1986, foi condenado por pedofilia, iria ter uma função específica em uma de suas paróquias.
O Vaticano se defende, afirmando que Bento 16 não respondia pela nomeação e que recebeu o padre somente para que ele pudesse passar por um "tratamento terapêutico".
Ontem, a antiga arquidiocese do papa Bento 16 na Alemanha já havia emitido notafirmando que ele não se envolveu na decisão de permitir que o padre suspeito de pedofilia continuasse a realizar trabalho pastoral, em 1980.
A Santa Sé também tentou relativizar os números divulgados recentemente sobre casos de pedofilia. A assessoria de imprensa do Vaticano utilizou uma entrevista concedida por Charles Scicluna, da Congregação para a Doutrina da Fé, que faz parte da Conferência Episcopal Italiana.
Segundo ele, das 3 mil acusações de diferentes crimes sexuais ligadas a Igreja nos últimos 50 anos, "somente 10% seriam realmente casos de pedofilia".
Após a Irlanda, Alemanha, Holanda e Áustria, agora foi a vez da Suíça se juntar à longa lista de países com casos de pedofilia. Segundo indicou, neste sábado, um alto responsável da igreja no país, as arquidioceses suíças foram contatadas por cerca de 60 pessoas que afirmam ter sido vítimas de abuso sexual por partes de membros da igreja.
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