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Conselho de Segurança/ONU

Combates na Líbia causam morte de civil, apesar do cessar-fogo

Soldado do governo de União (GNA) perto do front em Misrata. Em 3 de fevereiro de 2020.
Soldado do governo de União (GNA) perto do front em Misrata. Em 3 de fevereiro de 2020. EUTERS/Ayman Al-Sahili

Novos confrontos foram registrados nesta quinta-feira (13) na Líbia, apesar da adoção, no dia anterior, de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU pedindo "um cessar-fogo duradouro". Pelo menos um civil morreu ao sul de Trípoli.

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Testemunhas ouviram explosões causadas por foguetes na região de Machrou Al-Hadhba, uma área agrícola a cerca de 30 km do centro da capital. Outros mísseis caíram sobre áreas residenciais, matando uma mulher e ferindo outros quatro civis, de acordo com o porta-voz do Ministério da Saúde do governo de União (GNA na siga em inglês), Amin al-Hachimi.

O porta-voz do governo líbio, Mustafa al-Mejii, acusou as forças partidárias do marechal Haftar, que controla o leste do país, de violarem a trégua. "As milícias de Haftar tentaram avançar na região de Machrou al-Hadhba, mas nossas forças repeliram o ataque", afirmou.

Voos cancelados

O Aeroporto Internacional de Mitiga, o único em funcionamento e que oferece conexões nacionais e internacionais para a capital, Trípoli, teve seus voos suspensos após a queda de um míssil, o que causou pânico entre os passageiros.

Desde abril do ano passado, a capital da Líbia é o alvo de uma ofensiva lançada pelas forças insurgentes.

A resolução da ONU em vigor foi a primeira aprovada pelo Conselho de Segurança desde o início da ofensiva do marechal Haftar contra a sede do GNA, governo reconhecido pela comunidade internacional.

Apesar do cessar-fogo, combates esporádicos ocorrem diariamente nos arredores de Trípoli. Da mesma maneira, armas continuam a chegar ao país, mesmo depois dos compromissos assumidos em uma cúpula internacional em Berlim, em 19 de janeiro desse ano.

Um embargo de armas foi imposto à Líbia em 2011, data da queda do regime de Muammar Kadafi. Porém, as violações continuaram. O chefe da ONU, António Guterres, classificou a situação como um "escândalo".

Pacto de paz

A resolução da ONU adotada na noite de quarta-feira afirma "a necessidade de um cessar-fogo durável na Líbia, na primeira oportunidade e sem pré-condições".

Para isso, o texto pede a continuação das negociações da comissão militar conjunta criada em janeiro reunindo os dois lados do conflito, a fim de que se possa chegar a um "cessar-fogo permanente" e a posterior retomada da confiança.

A ONU propõe continuar as discussões de paz a partir de 18 de fevereiro.

Interferência internacional

O texto da resolução da ONU, redigido pelo Reino Unido, foi aprovado por unanimidade, tendo apenas a abstenção da Rússia. Há vários meses, o Kremlin é acusado de apoiar o transporte para a Líbia de milhares de mercenários do grupo privado Wagner, para atuarem ao lado do marechal Haftar.

Moscou, no entanto, nega qualquer papel na presença desses mercenários russos em território líbio.

Além da Rússia, o marechal Haftar é apoiado pelos Emirados Árabes Unidos, Egito e Jordânia, enquanto o GNA recebe ajuda da Turquia, acusada de ter enviado centenas de combatentes sírios pró-turcos em apoio às tropas do governo.

O texto da resolução da ONU também endossa as conclusões da Cúpula de Berlim, que pediu aos Estados membros que se abstivessem de qualquer interferência no conflito.

Desde abril, os confrontos na Líbia já mataram mais de 1.000 pessoas e 140.000 foram desalojadas, segundo estimativa da ONU.

A Human Rights Watch (HRW) acusa as forças pró-Haftar de terem usado bombas de fragmentação em uma área residencial de Trípoli, em 2 de dezembro. Seu uso "mostra um total desrespeito à segurança dos civis", disse Stephen Goose, representante da ONG de direitos humanos.

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