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Que consequências o coronavírus pode ter no tráfico de animais selvagens?

Segundo cientistas, genomas das sequências de vírus analisadas no pangolim são 99% idênticos aos dos pacientes infectados pelo novo coronavírus.
Segundo cientistas, genomas das sequências de vírus analisadas no pangolim são 99% idênticos aos dos pacientes infectados pelo novo coronavírus. Reuters

A infeliz disseminação em escala global do novo coronavírus finalmente acabará com o comércio da vida selvagem? Os principais países consumidores deste tipo de animal, a China e o Vietnã, parecem determinados a agir para controlar essa atividade, que prospera no caminho que vai da Ásia para a África, e vice-versa.

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Os cientistas ainda não sabem se o pangolim, uma espécie em extinção altamente valorizada pelos chineses, foi, na verdade, o principal vetor do novo coronavírus. Mas, como medida de precaução, o mercado de Wuhan foi fechado em janeiro, onde se encontravam pangolins para a venda livre. Um mês depois, foi emitido um decreto para eliminar o consumo de carne de animais selvagens.

As contas vinculadas a esse comércio na Internet foram encerradas e centenas de milhares de produtos foram apreendidos. O Vietnã, outro país que consome animais silvestres, está atualmente tomando medidas para restringir esse comércio.

A causa animal tornou-se um problema de saúde pública. No entanto, será necessário encontrar uma solução econômica, já que o mercado de pangolins, em particular, e o mercado de animais silvestres, em geral, encontram-se em plena expansão.

Indústria oficial na China e no Vietnã

A China possui 20.000 granjas especializadas em animais selvagens para consumo humano, que foram pressionadas por décadas para se transformarem em áreas rurais. Hoje, o setor vale cerca de US$ 75 bilhões, segundo um estudo acadêmico chinês de 2017, o que representa metade do mercado de carne suína.

Os produtos variam de couro a medicamentos e alimentos tradicionais. Comer pangolim é um indicador de sucesso social nestes países. O problema com essas fazendas é que elas encobrem o tráfego completamente ilegal: animais importados passam por elas e são vendidos como mercadorias legais.

No Vietnã, uma licença para criar animais selvagens é revendida a um preço alto e permite vender mercadorias que chegam diretamente das Filipinas, Malásia ou Índia e, cada vez mais, do continente africano.

Na África, a Nigéria se tornou o foco do tráfico de pangolins, de acordo com a ONG Traffic

Desde 2016, o tráfico de pangolins explodiu. Nos últimos três anos, mais da metade das apreensões globais da escala de pangolins, muito procurados para serem usados na medicina tradicional chinesa, já passaram em algum momento pela Nigéria.

Esse boom foi incentivado pela corrupção generalizada e um alto nível de tolerância para esse tipo de crime. A primeira multa que o sistema de justiça nigeriano aplica a esses casos é de apenas alguns dólares, enquanto Uganda condena os traficantes a pesadas multas e penas de prisão.

O outro incentivador do tráfico é, obviamente, a demanda. Um pangolim é vendido por US$ 7 na Nigéria e suas escamas são revendidas a US$ 250 no Vietnã, que se tornou o primeiro cliente da Nigéria.

Resta ver daqui a um ano se a China e o Vietnã realmente agiram para reduzir esse tráfico. Em 2003, o SARS transmitido por morcegos levou a China a fechar seus mercados de animais vivos. Seis meses depois, esses mesmos mercados reabriram.

Com informações de Dominique Baillard.

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