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Guiné-Bissau / Saúde

Dia de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina

A excisão diz ainda respeito a metade das mulheres na Guiné-Bissau
A excisão diz ainda respeito a metade das mulheres na Guiné-Bissau Liliana Henriques / RFI

Como todos os anos, conforme instituído pelas Nações Unidas, foi observado neste 6 de Fevereiro o Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, um dia de reflexão e sensibilização sobre um fenómeno que, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, diz respeito a cerca de 140 milhões de mulheres em todo o mundo, 3 milhões de meninas estando expostas ao risco de serem vítimas de excisão.

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Esta prática que provoca lesões físicas e psíquicas graves e permanentes é mantida em cerca de 30 países Africanos, entre os quais a Guiné-Bissau onde se estima que metades das mulheres sejam excisadas. Apesar da adopção de uma lei contra a mutilação genital feminina em 2011 e o chamado "fanado" ter diminuído de forma significativa, esta prática tida como uma tradição que obedeceria a preceitos religiosos ainda não desapareceu por completo nesse país.

Por conseguinte, é com alguma expectativa e solenidade que foi acolhida esta quarta-feira a leitura na Assembleia Nacional Popular da Fatwa contra a mutilação genital feminina. Este decreto religioso emanando de 200 líderes Islâmicos vindos de todo o país para a ocasião visa reforçar o apelo para o abandono desta prática que "não está no Islão e nos ensinamentos do Profeta Maomé" conforme realçou esta quarta-feira o Imã Mamadu Aliu Djaló, da Mesquita Central de Bissau.

Para Fatumata Baldé, Presidente do Comité para o abandono de práticas tradicionais nefastas para a saúde da mulher e da criança, este é um dia importante. Ao expressar a sua emoção, esta activista dos Direitos da Mulher, começa por dar conta dos progressos alcançados desde a entrada em vigor da lei contra a excisão em 2011 na Guiné-Bissau.

Fatumata Baldé

Esta jornada de reflexão coincidiu com a controvérsia envolvendo um cidadão Guineense emigrante há 19 anos em Portugal que voltou recentemente ao seu país com quatro meninas que mandou excisar. O emigrante chegou a ser preso por violar a lei, mas acabou por ser rapidamente solto por pressão do governador de Gabú, no leste do país. Contudo, face à emoção suscitada por este caso, as autoridades referem encarar um julgamento deste cidadão Guineense. Fatumata Baldé, uma das vozes que se elevaram para denunciar este caso, mostra-se convicta de que haverá julgamento.

Fatumata Baldé

 

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