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África/Estados Unidos

Em discurso na Etiópia, Obama pede que África combata "o câncer da corrupção"

Barack Obama discursa na União Africana
Barack Obama discursa na União Africana REUTERS/Jonathan Ernst

Barack Obama pediu nesta terça-feira (28) que a África combata "o câncer da corrupção" para garantir um progresso contínuo, em seu discurso na União Africana, o primeiro de um presidente americano na entidade. "Nada poderá desbloquear mais o potencial econômico da África do que o fim da corrupção", afirmou Obama, acrescentando que a prática subtrai bilhões de dólares que poderiam ser usados para a saúde ou para criação de empregos.

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Ele também disse que é hora de o mundo deixar de lado os "velhos estereótipos" em relação ao continente: "À medida que a África muda, eu peço ao mundo que mude sua abordagem da África". Mas Obama condenou os líderes africanos que se recusam a deixar o poder no continente. "O progresso democrático da África também está em risco quando líderes se recusam a deixar o poder ao fim do mandato. Ninguém deveria ser presidente vitalício", enfatizou.

Obama destacou que a África precisa derrotar o terrorismo, alertando que o progresso do continente depende da segurança e da paz. "A África enfrenta o terrorismo e o conflito, e quero que saibam que os Estados Unidos estão com vocês", afirmou. O presidente americano aludiu assim ao perigo que representam grupos como os shebab da Somália, o Boko Haram na Nigéria, os insurgentes no Mali e na Tunísia, e os rebeldes do Exército da Resistência na África Central.

Elogio às tropas

Na segunda-feira (27), em Adis Abeba, Obama elogiou o trabalho das tropas regionais da União Africana na Somália (Amisom) para combater os shebab ao lado do exército somali. A Amisom conta com 20 mil homens da Etiópia, Quênia, Uganda, Djibuti e Burundi. "Uma das razões que explicam o recuo dos shebab na África Oriental são as equipes regionais com forças locais", declarou o presidente americano em coletiva conjunta com o primeiro-ministro etíope Hailemariam Desalegn.

Os Estados Unidos realizam ataques regulares com drones contra os islamitas na Somália. "Não precisamos enviar nossos fuzileiros navais para combater: os etíopes são combatentes suficientemente experientes e os quenianos e ugandeses levam seu trabalho a sério na Somália", disse Barack Obama, embora reconhecendo que "ainda há trabalho a fazer" contra os insurgentes.

No domingo, quando o presidente americano deixava o Quênia em direção à Etiópia, os islamitas shebab realizaram um novo ataque com carro-bomba contra um hotel de Mogadíscio. A explosão destruiu a fachada do edifício, que abriga as embaixadas da China, Catar e Emirados Árabes Unidos, e matou pelo menos 13 pessoas.

Situação no Sudão do Sul

Assim como no Quênia, a questão da segurança se impôs como tema central em Adis Abeba. Já sobre os direitos humanos, o presidente americano abordou a questão, ressaltando o déficit democrático etíope. Em termos de direitos humanos na Etiópia, "ainda há trabalho e acredito que o primeiro-ministro é o primeiro a admitir que muito precisa ser feito", declarou.

Adis Abeba é regularmente acusada de pisotear os direitos humanos e silenciar as vozes dissidentes. A coalizão governista, que reina na Etiópia há um quarto de século, acaba de conquistar todos os assentos no Parlamento nas últimas eleições legislativas. "Eu acredito que, quando todas as vozes podem ser ouvidas, o país fica mais forte, mais bem-sucedido", disse Obama, acrescentando, porém, que o seu país "acredita nas promessas da Etiópia e do seu povo".

Obama também denunciou a contínua deterioração da situação no Sudão do Sul, país mais jovem do mundo devastado por 19 meses de guerra civil. Os Estados Unidos haviam desempenhado um papel de liderança na obtenção da independência do Sudão do Sul em 2011.

"Infelizmente, a situação continua se deteriorando. A situação humanitária piorou", afirmou, pedindo um acordo de paz entre os beligerantes nas próximas semanas. "Não temos muito tempo. As condições no terreno pioraram muito. O objetivo é assegurarmos que os Estados Unidos e o IGAD (bloco regional que lidera o processo de paz) estejam alinhados em uma estratégia dirigida a conversações de paz."

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