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Burkina Faso/Política

General golpista quer evitar "banho de sangue" em Burkina Faso

O exército nas ruas de Uagadugu, nesta terça-feira  22 de setembro de 2015.
O exército nas ruas de Uagadugu, nesta terça-feira 22 de setembro de 2015. AFP PHOTO / SIA KAMBOU

O líder do golpe de Estado em Burkina Faso, o general Gilbert Diendéré, se recusou nesta terça-feira (22) a entregar as armas, como exige o exército do país. Ele quer "evitar um banho de sangue e massacres" e promete respeitar as decisões dos mediadores da Cedeao, reunidos na Nigéria.

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O exército de Burkina Faso entrou sem resistência na capital do país, Uagadugu, na noite desta segunda-feira (21), e negocia a rendição dos golpistas da guarda presidencial, que derrubaram na semana passada o presidente interino, Michel Kafando. Nesta manhã, o primeiro-ministro Isaac Zida foi libertado pelos golpistas. Ele estava detido desde o dia 17 de setembro, quando houve o golpe.

Em entrevista à Rádio França Internacional, o líder dos golpistas, Gilbert Diendéré, confirmou que as negociações continuam em curso. "Desde ontem, nós começamos a discutir com militares vindos do interior do país. Nós tivemos discussões muito proveitosas e elas continuam na manhã desta terça-feira para tentar resolver os problemas", explicou.

"Não temos vontade de lutar, mas vamos nos defender. Não queremos um banho de sangue para ficar em um poder qualquer. Não vai adiantar nada derramar sangue, cometer massacres em um país para o qual queremos servir", afirmou o general, próximo do ex-presidente Blaise Compaoré, destituído em outubro de 2014 depois de 27 anos no poder.

"Queremos encontrar uma solução da maneira mais pacífica possível para evitar criar ainda mais problemas para nosso país", insistiu Diendéré.

O general Gilbert Diendéré, em Uagadugu, em 25 de juilho de 2014.
O general Gilbert Diendéré, em Uagadugu, em 25 de juilho de 2014. AFP PHOTO/ SIA KAMBOU

Respeito às decisões da Cedeao

O general também se comprometeu a respeitar as decisões que serão adotadas pela Cedeao (Comunidade econômica dos países da África Ocidental). Em uma reunião de cúpula extraordinária realizada nesta terça-feira em Abuja, os mediadores da organização discutem um projeto para saída da crise.

O documento prevê a restauração das autoridades de transição em Burkina Faso, a anistia dos golpistas e a reintegração dos partidários do ex-presidente Compaoré na corrida eleitoral, uma das reivindicações mais importantes dos autores do golpe de Estado.

O projeto da Cedeao foi duramente criticado pela sociedade civil em Burkina Faso e nas ruas de Uagadugu, muitos moradores consideram o plano "inaceitável". Segundo o último balanço das equipes médicas, atos violentos registrados durante o golpe de Estado deixaram ao menos 10 mortos e 113 feridos.

As Forças Armadas do país até então tinham acompanhado discretamente o golpe liderado pelo Regimento da Segurança Presidencial e pelo seu ex-comandante Gilbert Diandéré, que nega estar sob ordens do ex-presidente.

Os golpistas destituíram o regime de transição que comanda o país desde a queda de Blaise Compaoré. O presidente interino, Michel Kafando, que estava sob vigilância monitorada depois de ter sido detido pelos golpistas, foi levado na noite de segunda-feira para a residência do embaixador francês em Uagadugu.
 

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