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Boko Haram tira mais de um milhão de crianças das escolas nigerianas

Nigerianas protestam pela libertação das 276 meninas sequestradas pelo Boko Haram
Nigerianas protestam pela libertação das 276 meninas sequestradas pelo Boko Haram REUTERS/Afolabi Sotunde

Um comunicado divulgado pelo Unicef nesta manhã informa que o grupo islamita Boko Haram priva mais de um milhão de crianças de receber educação. Mais de 2 mil escolas da Nigéria, do Camarões e do Chade foram obrigadas a fechar suas portas devido ao regime de terror imposto pela organização jihadista. Centenas de estabelecimentos de ensino foram atacados, saqueados e incendiados pela organização extremista no nordeste da Nigéria e em outros países desta região.

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O presidente nigeriano Muhammadu Buhari estabeleceu o fim de dezembro como prazo para que seu comando militar acabe com a insurgência. Mas mesmo que essa árdua tarefa seja de fato realizada com sucesso, o fundo para a infância da ONU acredita que o país enfrentará graves problemas sociais, já que há uma geração de crianças cuja violência privou dos estudos. De acordo com o diretor regional do Unicef para África Ocidental e Central, Manuel Fontaine, "quanto mais tempo permanecerem fora das escolas, maior o risco de essas crianças serem abusadas, sequestradas e recrutadas por grupos armados".

Conforme o exército nigeriano retoma território no nordeste do país, algumas escolas têm conseguido reabrir. Mas muitas delas estão superlotadas e carecem da estrutura básica para o ensino. Além disso, diante do clima de violência, muitos professores deixaram de lecionar e muitas famílias resistem em enviar seus filhos para a escola. Outras áreas permanecem perigosas demais para a retomada das aulas, já que os jihadistas prometeram intensificar os sequestros de estudantes em dezembro.

"Educação ocidental é pecado"

As escolas, estudantes e professores são um alvo preferencial desta organização, inscrito no próprio nome Boko Haram: a primeira palavra, em idioma Haussá, designa a educação ocidental; e a segunda, em árabe, quer dizer "pecado". Ou seja, Boko Haram significa literalmente "a educação ocidental é pecado". Sua interpretação ultraconservadora do alcorão aplica a sharia (lei islâmica) ao pé da letra e proíbe qualquer relação com a sociedade ocidental, da educação laica ao uso de calças e camisas.

Em abril de 2014, um ataque da organização contra uma escola de Chibok, no nordeste da Nigéria, causou comoção internacional. Os jihadistas invadiram o local e sequestraram 276 meninas que se preparavam para os exames de final de ano. Elas foram provavelmente vendidas como escravas mas, até hoje, não se conhece seu paradeiro. Entre estas investidas violentíssimas e os ataques suicidas, o Boko Haram conseguiu causar danos severos à infra-estrutura do nordeste nigeriano, que já era precária e piorou mais ainda depois da queda do preço do petróleo - principal produto de exportação do país - no mercado internacional.

No estado de Borno, os jihadistas destruíram o equivalente a US$ 1 bilhão em infraestrutura, incluindo hospitais, pontes, estradas e casas, informou um relatório do governo local publicado em setembro.

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