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Brasil-África

Mina da Vale em Moçambique é criticada há quase cinco anos

Áudio 03:06
Carregamento de carvão em mina de Moatize, no norte de Moçambique, em 2011.
Carregamento de carvão em mina de Moatize, no norte de Moçambique, em 2011. AFP/Johannes Myburgh

Quase cinco anos depois da implentação da Vale em Moçambique, a mineradora brasileira continua a ser alvo de severas críticas por parte de organizações da sociedade civil. Elas apontam danos ao meio ambiente e as precárias condições de vida de famílias que viviam na zona onde está a mina de carvão de Moatize, a maior a céu aberto do mundo.

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Fábia Belém, correspondente da RFI Brasil em Moçambique

A mina fica na província de Tete, centro do país. Para dar lugar ao mega projeto de extração de carvão da Vale, em 2009, cerca de 1.300 famílias começaram a deixar a área, onde moravam e se dedicavam à agricultura de subsistência. A companhia brasileira garantiu indenização e construiu dois reassentamentos: um fica perto da mina; o outro, em Cateme, uma vila distante quase 40 quilômetros de onde as famílias viviam.

Adelino Jorge Saguate, coordenador de programa do Instituto Panos África Austral, ONG que atua na área de comunicação e monitora a indústria extrativa em Moçambique, afirma que até hoje as famílias lamentam a qualidade da terra que receberam. “As terras atribuídas para a produção agrícola são impróprias para a agricultura. São terras com pedregulhos, e partimos do princípio que aquela comunidade tinha como base de produção a agricultura”, frisa.

Impacto ambiental no entorno

O diretor-executivo da Associação de Apoio e Assistência Jurídica às Comunidades (AAAJC), Rui de Vasconcelos Caetano, conta que as pessoas que moram no entorno da mina também têm sofrido os impactos da exploração de carvão. Além da poluição do ar, ele destaca que o rio que abastecia as famílias foi contaminado pela mineradora. “A Vale tem consciência disso, tanto que ela abastece essas comunidades, através de caminhões cisternas”, acrescentou.

Expectativas

Em resposta às críticas, a Vale afirmou que apenas 45 famílias reclamaram da qualidade do solo e que as terras de Cateme são iguais às que as pessoas tinham antes do reassentamento. A mineradora também negou que esteja poluindo o ar e contaminando o rio: justificou o abastecimento de água como sinal de respeito às comunidades locais.

Mas as respostas não convencem representantes de organizações da sociedade civil. Para o diretor-executivo da AAAJC, a responsabilidade pelos danos ambientais e sociais atribuídos à Vale contrasta com a expectativa gerada pela própria companhia. “Quando houve o primeiro contato com a população, o discurso foi de desenvolvimento, de muito emprego. Então, isso criou expectativa, e essa expectativa fez com que as comunidades, sem pensar, aceitassem todos aqueles tipos de condições. Hoje, estamos meio frustrados com a presença desse mega projeto, porque só nos traz sofrimento”.
 

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