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Brasil-África

Moçambicanos devem fazer teste de português para estudar no Brasil

Áudio 03:12
O professor José Pessoa durante uma aula de português brasileiros para jovens moçambicanos.
O professor José Pessoa durante uma aula de português brasileiros para jovens moçambicanos. Foto: Fábia Belém

No Centro Cultural Brasil - Moçambique (CCBM), 34 jovens frequentam as aulas de português. São estudantes que se preparam para o exame de proficiência em língua portuguesa, exigido para estrangeiros que desejam estudar numa universidade brasileira.

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Fábia Belém, de Moçambique,

“Nosso português é de Portugal, e aqui estamos a estudar o português brasileiro”, conta Vania Matsule, que planeja estudar psicologia numa universidade do Rio de Janeiro.

O Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa é um dos documentos exigidos ao estrangeiro que se candidata a uma bolsa, mesmo quando é de um país que tem o português como idioma oficial. A obrigatoriedade tomou de surpresa a moçambicana Fausia Parabudas. “Fizemos o ensino aqui, falando em língua portuguesa. Então, eu achei muito estranho essa necessidade de fazer o teste de proficiência em língua portuguesa”, explica.

A exigência é para todos os estudantes estrangeiros

José Pessoa é um dos professores de português do CCBM e tem preparado moçambicanos para o exame, por meio do qual o certificado é obtido. Ele diz que, assim como Fausia, outros estudantes costumam fazer o mesmo questionamento no primeiro dia de aula. Pessoa argumenta que “não poderia haver uma distinção entre os países de língua portuguesa e os outros, que estão no mesmo programa e que devem respeitar as mesmas regras”.

O exame é desenvolvido pelo Ministério da Educação e aplicado com o apoio do Itamaraty. O curso preparatório dura, em média, 10 semanas.

As diferenças do português falado no Brasil e em Moçambique

Fausia não desistiu do sonho de estudar Medicina no Brasil, e faz parte da turma. Com as aulas, diz ter descoberto algumas diferenças curiosas no que é falado no Brasil e em Moçambique. “Nós escrevemos ´loiça` com ´i`, vocês com ´u`”, destaca. A moçambicana, de 18 anos, diz que achou engraçado quando aprendeu a expressão “nós não estamos de bobeira”.

Hélio Daniel Parruque, que pretende fazer doutorado na área de Educação, ressalta que ele e os colegas estão a ter contato com algumas palavras que são usadas no Brasil, “com significado que nós conhecemos cá, mas que são ditas de outra forma no Brasil. Nós continuamos a escrever ´factor`, enquanto no Brasil é ´fator`”.

O Brasil real nas aulas de português

O professor José Pessoa chama atenção para um aspecto que diz ser comum nas turmas. Segundo ele, a ideia que os alunos têm do Brasil é a transmitida pelas novelas. Então, muito mais que ensinar português, os professores tem dado aula sobre o Brasil real, inclusive, com o uso de textos de escritores brasileiros. “É impossível situar [o livro] Vidas Secas, do Graciliano Ramos, sem aprofundarmos sobre a história do Nordeste, as diferenças do Nordeste para as regiões mais ricas do Brasil, o problema da seca e um pouco de história”, conclui.

 

 

 

 

 

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