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A Semana na Imprensa

Ensino de mandarim explode no continente africano

Professora ensina mandarim em classe do Instituto Confucius no Togo
Professora ensina mandarim em classe do Instituto Confucius no Togo L'Obs

Uma reportagem publicada na revista semanal francesa L’Obs se interessou pelo desenvolvimento do ensino de mandarim na África. O texto mostra como as escolas do idioma se multiplicaram no continente africano, confirmando a influência e o interesse cada vez maiores da China na região.

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A reportagem de três páginas começa em Lomé, no Togo. Na capital do país francófono, mais de mil alunos fazem duas horas diárias de aulas de mandarim no Instituto Confucius, entidade conhecida por divulgar a língua e a cultura chinesas pelo mundo. Segundo uma das professoras entrevistadas, a maior parte dos estudantes quer se tornar intérprete.

O texto explica que esse fenômeno vem se sentindo desde 2005, quando o primeiro Instituto Confucius do continente africano foi aberto em Nairóbi, no Quênia. Desde então, os números não param de crescer e das 300 antenas da escola no mundo, 40 são na África. Além disso, os estabelecimentos são cada vez maiores, como a escola de Lomé, que acaba de se mudar para um prédio de dois andares construído especialmente para hospedá-la. Ou ainda a antena de Acra, capital ganense, que acolhe dois mil estudantes e espera dobrar esse número nos próximos dois anos.

Investimentos financeiro e petróleo

A revista explica que parte desse sucesso se deve ao investimento financeiro feito há muito tempo pela China no continente. Pois “se os Institutos Confucius representam um desenvolvimento relativamente recente da diplomacia cultural chinesa na África, esse soft power não é novo”, comenta o texto. “Desde os anos 1950, enquanto os Estados Unidos enviavam seus maiores músicos de jazz, como Louis Armstrong et Dizzy Gillespie, para promover a cultura norte-americana no continente africano, a China construía estádios na região”, lembra L’Obs.

Um dos fatores levantados pela reportagem é a facilidade para fazer negócios com os chineses, o que “seria mais adaptado à realidade africana”. O texto relembra uma declaração do então presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, em 2007, na qual elogiava esse aspecto. “Quando eu quero construir uma estrada, tenho que discutir cinco anos com o Banco Mundial. Com a China, tudo é resolvido em alguns dias”, comparou o chefe de Estado.

L’Obs também chama a atenção para o fato de que um dos interesses de Pequim seria o petróleo, abundante em alguns países do continente. Porém, o texto ressalta que não são apenas os produtores da commodity que beneficiam dos investimentos de Pequim, pois Gana, Tanzânia, Zâmbia e Malawi também fazem parte da dinâmica de presença chinesa no continente. “A China investiu US$ 121 milhões na luta contra o vírus ebola em 2014 e prometeu distribuir 18 mil bolsas de estudos no continente” pondera a revista. Mas o país asiático também quer eliminar as taxas aduaneiras de 97% dos produtos vindos da África, ressalta.

“Por trás do sucesso dos Institutos Confucius há uma estratégia de superpotência, de uma China que quer estar onipresente em todos os setores”, analisa o texto, lembrando que essa “onda chinesa” não agrada a todos. O sindicato dos professores sul-africanos (Sadtu), por exemplo, considera que o desenvolvimento em massa do ensino do mandarim representa uma “nova forma de colonização”, escreve a revista L'Obs. 
 

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