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Traficantes de pessoas permanecem impunes, aponta relatório da ONU

De acordo com um relatório divulgado hoje pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), grupos armados usam o tráfico humano como uma estratégia para financiar suas atividades ou aumentar seus números em conflitos em todo o mundo.
De acordo com um relatório divulgado hoje pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), grupos armados usam o tráfico humano como uma estratégia para financiar suas atividades ou aumentar seus números em conflitos em todo o mundo. Reprodução RFI

O tráfico de pessoas, que envolve homens, mulheres e crianças vítimas de atividades criminosas que vão da exploração sexual ao roubo de órgãos, permanece impune pelo mundo, lamenta um relatório da ONU publicado nesta segunda-feira (7). Os dados são da secretaria contra o crime e a droga da organização.

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Apesar de um aumento no número de condenações pronunciadas por tráfico humano na África e no Oriente Médio, a tendência ainda permanece baixa. “Os traficantes não correm praticamente nenhum risco de serem julgados”, diz o documento, que ressalta a necessidade de uma cooperação internacional para acabar com as redes criminosas

O texto reúne dados até o ano de 2016 e afirma que, durante esse período, o número de países em situação de conflito armado nunca foi tão grande nos últimos 30 anos. O relatório ressalta que a existência dessas áreas de crise aumenta o risco de tráfico de seres humanos, por causa da ausência de uma autoridade local, do enfraquecimento das estruturas familiares e da precariedade econômica.

Exploração sexual, trabalho forçado e casamento

O tráfico humano com fins de exploração sexual é a prática mais recorrente, representando 59% das vítimas identificadas em 2016. O relatório cita, por exemplo, as milhares de meninas e mulheres da minoria yázidi, escravizadas pelo grupo terrorista Estado Islâmico (EI) no Iraque. Uma delas, Nadia Murad, foi vencedora do prêmio Nobel da Paz em 2018.

O trabalho forçado é a segunda forma de tráfico de pessoas mais comum, envolvendo 1/3 das vítimas na África subsariana e no Oriente Médio. Cem casos de tráfico de órgãos foram registrados no período entre 2014 e 2017. Os campos de refugiados são alvos fáceis para os traficantes, que iludem as vítimas com promessas de dinheiro e melhorias de vida.

O relatório da ONU também revela que 70% das vítimas são mulheres e 23% são menores. O tráfico de pessoas para casamentos forçados é uma situação recorrente entre as mulheres do sudeste da Ásia.

O documento não apresenta dados mundiais sobre o crime – as últimas informações oficiais apontavam que o número de casos globais, em 2016, girava em torno de 25.000 e, em 2011, por volta de 10.000. Um aumento que pode estar ligado à maior fiscalização e registros desse tipo de atividade pelo mundo.

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