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Boko Haram: 10 anos de revolta e de terror na Nigéria

Um soldado nigeriano perto do vilarejo de Nghar, que sofreu um ataque do Boko Haram em junho de 2018.
Um soldado nigeriano perto do vilarejo de Nghar, que sofreu um ataque do Boko Haram em junho de 2018. STEFAN HEUNIS / AFP

Há 10 anos, o grupo terrorista Boko Haram iniciou sua rebelião e seus ataques violentos na África. Em sua origem, ele não passava de uma seita religiosa situada no nordeste da Nigéria, região onde a lei islâmica, chamada de charia, é aplicada desde o começo dos anos 2000. A RFI traçou o histórico do grupo, de seu início até os dias atuais, quando a organização passou a ocupar as páginas de diversos jornais no mundo todo.

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“Boko Haram” significa “A educação ocidental é um pecado”. Formada originalmente por estudantes, a organização foi guiada em seu começo pelo líder religioso Mohamed Yusuf, que pregava uma doutrina extremamente ortodoxa do Islã.

Yusuf usava o discurso religioso para denunciar os diversos problemas do governo nigeriano e de seu exército e se aproveitava do descontentamento popular para construir suas ideias e sua estrutura ideológica. Seus seguidores vinham da classe baixa: pessoas que encontravam dificuldade em encontrar um trabalho e que se sentiam ignoradas pelo governo.

A partir do momento em que as autoridades começaram a se dar conta da influência do Boko Haram, a seita passou a se beneficiar de apoios mais estruturais e formais. Personalidades influentes começaram a dar crédito ao grupo, mas algumas desconfiavam de sua tendência extremista.

Devido a sua grande influência, o movimento decidiu instrumentalizar sua ação com fins políticos. Vários incidentes demonstraram que o Boko Haram era usado para coletar fundos ou para fazer intimidações em campanhas eleitorais.

Início da rebelião

Pouco a pouco, o movimento passou a se rebelar à medida que seu apoio formal se distanciava dele. A partir de então, o Boko Haram começou a impor suas próprias ideias e a se revoltar. O momento crucial foi julho de 2009, quando uma manifestação organizada pelo grupo, terminou em conflito com a polícia, provocando várias mortes e a prisão e execução de Mohamed Yusuf.

Esses eventos foram suficientes para aumentar a força do Boko Haram e causar o surgimento de um novo líder: Abukakar Shekau, que tomou o controle do grupo com uma nova orientação. A partir de 2010, a ação de Boko Haram se tornou mais organizada e sofisticada, com roubos de carros e uso de mecanismos explosivos. Os ataques não são mais somente dirigidos contra os civis, mas também contra o governo.

Transformações na última década

Na última década, o Boko Haram não parou de se radicalizar. Após o apogeu das violências marcadas pelo sequestro das 276 estudantes de Chibok, em 2014, o grupo perdeu forças em razão da cobertura do crime pelos jornais e da resposta da comunidade internacional com ataques militares.

Em 2016, o grupo terrorista Estado Islâmico enviou Abu Musab al-Barnawi para assumir a liderança de uma facção do Boko Haram, que se torna ISWAP, o Estado Islâmico na África do Oeste. Ainda mais enfraquecida por causa de suas divisões internas, a organização se reinventou nos últimos anos, investindo em uma propaganda de proteção da população e antigoverno.

A violência contra civis diminuiu bastante se comparada aos anos 2013 e 2014. Mas, de qualquer forma, como afirma um morador de Maiduguri entrevistado pela RFI, a população precisará de tempo para se curar dos traumas provocados pelo Boko Haram na região.

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