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Tunísia

Ex-ditador da Tunísia Ben Ali morre aos 83 anos na Arábia Saudita

O ex-ditador Ben Ali em imagem de 7 de novembro de 1987, em Túnis.
O ex-ditador Ben Ali em imagem de 7 de novembro de 1987, em Túnis. © AFP

O ex-presidente da Tunísia Zine Al-Abidine Ben Ali, 83 anos, morreu nesta quinta-feira (18) na Arábia Saudita, onde vivia exilado desde 2011, quando foi derrubado do poder no início do movimento que ficou conhecido como Primavera Árabe. Ben Ali sofria de câncer e estava hospitalizado há uma semana, informou seu advogado Mounir Ben Salha.

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O ex-ditador tunisiano vivia exilado em Jeddah com a família desde 14 de janeiro de 2011, quando foi deposto por uma rebelião popular que depois contagiou o mundo árabe. Pelo menos 300 tunisianos morreram durante a repressão.

Ben Ali e sua esposa, Leila Trabelsi, lideraram um governo autoritário durante 24 anos, deixando a economia da Tunísia destruída.

Nascido em uma família humilde do interior do país, Ben Ali chegou ao poder em 1987 por meio de um "golpe médico" contra o pai da independência Habib Bourguiba. Em pouco tempo, ele estabeleceu um regime ultrarrepressivo.

Militar de carreira, o ex-ditador tunisiano estudou em academias militares na França e nos Estados Unidos. Seus oponentes o chamavam de "Zaba" (suas iniciais) e sublinham que Ben Ali contava com o aparato policial para conter qualquer disputa, ou apenas para amordaçar a imprensa e os sindicatos.

Onipresente com seus retratos oficiais que o mostravam sorrindo, seus cabelos tingidos de preto, ele se gabava de melhorar o padrão de vida de seus compatriotas e de ter "feito da Tunísia um país moderno". Mas a extrema pobreza da maioria da população tunisiana, até hoje, mostra bem o contrário.

Em 2018, depois de julgamentos à revelia por "homicídio intencional", "abuso de poder" e "desfalque", Ben Ali foi condenado a mais de 100 anos de prisão.

A família não informou o local e a data dos funerais.

País ainda tenta se reerguer

A morte de Ben Ali ocorre entre dois turnos de eleições presidenciais conturbadas na Tunísia. Resultados oficiais divulgados na terça-feira (17) apontaram que o segundo turno será disputado pelo candidato conservador Kais Saied e o empresário Nabil Karaoui. Este último está preso, acusado de corrupção.

Logo depois da divulgação dos resultados, os advogados do empresário afirmaram que farão um novo pedido de libertação. Segundo os magistrados, o candidato pode se eleger presidente, já que nenhuma condenação o priva de seus direitos cívicos até o momento.

Karaoui, magnata das comunicações e dono do canal de TV Nessma, é investigado por lavagem de dinheiro e está preso desde 23 de agosto. O empresário foi detido a dez dias do início da contestada campanha, que realizou de dentro da prisão.

Para conquistar o eleitorado, seu canal de TV foi fundamental: uma estratégia extremamente criticada por seus opositores. Mas, diante da possibilidade de que seus rivais exijam o cancelamento da participação de Karaoui no 2° turno, o Isie, órgão independente encarregado de supervisionar as eleições, já deu seu parecer negativo. "Estamos analisando a situação, mas para tirar um candidato da corrida eleitoral é preciso ter uma razão válida e sólida de fraude", afirmou na terça-feira o porta-voz da instituição, Hasna Ben Slimane.

Chamado de "salvador" por admiradores e de "bandido" por opositores, Karoui, de 56 anos, permaneceu preso desde o início de sua campanha. O candidato foi obrigado a repassar a responsabilidade a amigos e principalmente à esposa, Salwa Smaoui, que batalhou intensamente por votos.

Culpado ou não dos crimes dos quais é acusado, o magnata é um dos símbolos da transição política na Tunísia, com um eleitorado extremamente decepcionado com seus representantes e exausto da crise econômica que o país enfrenta desde a Primavera Árabe, em 2011. O desemprego continua a afetar mais de 15% da população, incluindo muitos jovens recém-formados, a inflação engole a renda já baixa, enquanto a precariedade dos serviços públicos alimenta o ressentimento.

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