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Marrocos/ Aborto

Jornalista marroquina condenada por aborto recebe perdão do rei

Manifestação em apoio à jornalista Hajar Raissouni, condenada a um ano de prisão por "aborto ilegal" no Marrocos.
Manifestação em apoio à jornalista Hajar Raissouni, condenada a um ano de prisão por "aborto ilegal" no Marrocos. STRINGER / AFP

O rei marroquino Mohammed VI perdoou a jornalista Hajar Raissouni, que foi recentemente condenada a um ano de prisão por "aborto ilegal" e "sexo extraconjugal", segundo comunicado oficial divulgado nesta quarta-feira (16).

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A mulher de 28 anos foi libertada da prisão na própria quarta-feira (16). Ela havia sido sentenciada a um ano de prisão, assim como o seu noivo, o ginecologista, o anestesista e o secretário do médico. Todos estavam detidos por suposta prática ilegal de aborto. 

As famílias saudaram o anúncio de sua libertação com alívio e foram rapidamente tirá-los da prisão. Na mesma noite, uma foto de Hajar Raissouni viralizou nas redes sociais. Nela, vemos a jovem mulher com um grande sorriso, um buquê de flores na mão e os dedos em sinal de vitória.

Uma vitória para a jovem e seu noivo, para a equipe médica, mas também para os defensores dos direitos humanos e para as ativistas feministas que fizeram lobby para exigir sua libertação.

Apoio dos marroquinos

Hajar Raissouni recebeu o apoio de jornalistas, intelectuais, políticos, mas também de marroquinos em geral. Um manifesto de apoio, chamado Manifesto Fora da Lei, recebeu mais de 10.000 assinaturas. Este texto denunciou em particular as leis liberticidas.

"Este caso causou muito barulho, chocou muitos marroquinos. Debatemos no horário nobre, na televisão marroquina, em árabe, em francês. É um alívio ver que grande parte da população do Marrocos se posicionou contra o fato de o Estado estar cuidando do que está acontecendo em nosso quarto ", disse o sociólogo Mehdi Alioua, signatário do manifesto.

Liberdade de imprensa

Hajar Raissouni escreve para um jornal da oposição. Após sua prisão, a jornalista denunciou um "julgamento político" relacionado ao seu trabalho jornalístico e sua família. Um de seus tios é editor de um jornal independente em língua árabe, o outro é o fundador de um movimento islâmico.

"No nível da profissão, muitos tinham medo de escrever e de fato houve um alívio porque se pensa que a justiça é feita. Ainda há um motivo de esperança para a profissão. É extremamente importante que a liberdade de imprensa não seja ameaçada por uma instrumentalização da justiça ", reagiu Mohamed Ezouak, diretor de publicação do site de notícias Yabiladi.com.

Essa decisão foi motivada pela "compaixão" e "preocupação" do rei de "preservar o futuro dos dois noivos que planejavam fundar uma família de acordo com os preceitos religiosos e a lei, apesar do erro que teriam cometido", diz o Ministério da Justiça em um comunicado.

Tanto a jovem quando o médico disseram que não houve aborto. Hajar Raissouni garante que ela consultou urgentemente o seu ginecologista após uma hemorragia interna, algo que o médico confirmou perante o tribunal de Rabat.

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