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Bolívia

"Eles nos crivaram de balas": Congresso boliviano tenta aprovar eleições para conter crise que já deixou 32 mortos

Bolivianas passam em frente à inscrição «Mesa-Camacho-Anez, assassinos-racistas» em um pedágio na estrada que liga El Alto e La Pazna Bolívia, em 19 de novembro de 2019.
Bolivianas passam em frente à inscrição «Mesa-Camacho-Anez, assassinos-racistas» em um pedágio na estrada que liga El Alto e La Pazna Bolívia, em 19 de novembro de 2019. © AIZAR RALDES / AFP

O Congresso da Bolívia trabalha nesta quinta-feira (21) para aprovar o quanto antes uma lei convocando eleições gerais e conter a crise no país, que já deixou 32 mortos em um mês de protestos.

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Nesta quinta-feira (21), milhares de pessoas marchavam de El Alto para La Paz, cidades separadas por poucos quilômetros, com caixões de cinco dos oito mortos em uma operação das forças militares e policiais nas imediações de Senkata, uma fábrica de distribuição de combustíveis.

Os confrontos aconteceram depois que os agentes de segurança liberaram a saída de caminhões destinados a amenizar a escassez de combustível na capital, afetada pelos bloqueios de rotas e onde as filas se multiplicam para encontrar gasolina, gás e comprar galinhas e vegetais.

"Justiça, justiça!", clamaram os manifestantes na passagem com os corpos. "Eles nos crivaram de balas. Isso é sanguinário", disse Rufino Copa, agricultor de 42 anos que participa dos protestos contra Jeanine Áñez, senadora da oposição que assumiu o poder em substituição a Evo Morales depois de sua renúncia e asilo no México.

Desafio

Os moradores, que pretendem chegar a La Paz com seus mortos, em um desafio aberto às novas autoridades, acusam as forças oficiais de atirarem contra a manifestação que cercava a distribuidora de Senkata. O governo interino nega responsabilidade pelas mortes.

"Queremos justiça, não queremos que essa senhora seja presidente", disse uma mulher indígena com seu bebê de oito meses nas costas.

O Congresso procura apaziguar os ânimos por meio de convocação de eleições e anulação do processo eleitoral de 20 de outubro, em que Morales concorreu a um novo mandato após 13 anos à frente da Bolívia.

A oposição, liderada pelo ex-candidato Carlos Mesa, alegou fraude e ocupou as ruas contra o ex-presidente aimará, de 60 anos, enquanto a OEA afirmou ter encontrado irregularidades na votação.

Decisões-chave

O objetivo é que o Senado "aprove nesta quinta-feira" a convocação de novas eleições, atenda "a essa demanda no menor tempo possível, com um novo tribunal eleitoral com homens e mulheres confiáveis", disse o presidente da comissão que analisa as possíveis convocações, Oscar Ortiz.

O Congresso deve analisar dois projetos que têm o mesmo fim, um de Áñez, enviado na véspera, e o outro apresentado pelo Movimento ao Socialismo (MAS), liderado por Morales e que tem maioria nas duas casas do Congresso.

Situação e oposição devem chegar a um consenso sobre a data das eleições e decidir se Morales poderá se candidatar. Antes disso, eles deverão nomear os sete magistrados do Supremo Tribunal Eleitoral (TSE) após a destituição e prisão de ex-juízes por suposta fraude dos resultados em favor de Morales.

(Com informações da AFP)

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