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Brasil-América Latina

Sem verba, Instituto Cultural Brasil Venezuela fecha as portas

O Instituto Cultural Brasil Venezuela (ICBV) fechará suas portas no próximo dia 06 de dezembro.
O Instituto Cultural Brasil Venezuela (ICBV) fechará suas portas no próximo dia 06 de dezembro. E. Jorge

Os amantes da cultura brasileira em Caracas vão ficar órfãos. O Instituto Cultural Brasil Venezuela (ICBV) fechará suas portas no próximo dia 6 de dezembro. A falta de verba e a ausência de patrocínio são os motivos que levaram a diretora Irlanda Rincón a decretar o fim das atividades na casa por tempo indeterminado.

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“Tomamos a dolorosa decisão depois de muitas tentativas para resolver e que viemos carregando há muitos anos pela perda dos apoios tanto de empresas brasileiras como da Embaixada (brasileira em Caracas), fundamentalmente”, lamenta Irlanda Rincón.

Há anos o Instituto Cultural Brasil Venezuela tem sido a principal referência neste país no ensino do idioma português com o sotaque verde e amarelo.

A situação econômica do ICBV começou a ficar delicada em 2015 com o fim do convênio Embaixada-Instituto.

“Houve a ideia do governo do Brasil de eliminar o Instituto e passá-lo à Embaixada. Então foi informado aos patrocinadores que já não eram necessários seus aportes. Mas essa ideia não foi levada a adiante. O governo brasileiro retirou esta proposta e não conseguimos recuperar os patrocinadores. A partir daí o ICBV, em 2016, parou de pagar o aluguel da casa”, informa a diretora.

Os brasileiros começaram a ir embora

Sem conseguir colocar as contas em dia, foi preciso tomar a drástica decisão.
Desde 2014 a Venezuela entrou em uma crise sem precedentes. A partir daquele ano os brasileiros que moravam aqui também começaram a ir embora.

Muitos eram professores do ICBV. O atual quadro de docentes é composto, na maioria, por profissionais de origem venezuelana. Apenas três são brasileiros. Uma delas, que preferiu não se identificar, conta que este é mais um capítulo do que a Venezuela vem passando:

 “Eu dou aula aqui há 17 anos. A situação é complicada, muito triste e eu acho que está de acordo com a situação do país”, disse a professora.

Os atuais 240 alunos estão organizando um abaixo-assinado para protestar contra o fim das atividades.

Não é apenas o fim das aulas que gera preocupação. O ICBV por anos foi a única instituição autorizada a aplicar na Venezuela o exame de proficiência da língua portuguesa, o CELPE-BRAS.

“Essa é uma organização inicial do Ministério da Educação do governo brasileiro. Então, suponho que a Embaixada resolverá (essa situação). O fará no Consulado, não sei... Essa pergunta não sei responder, mas estou segura de que a Embaixada resolverá este tema”, diz a diretora do instituto.  

E é lá que há décadas Simone Nevado dá aulas de samba e de outros ritmos brasileiros e faz um pedido para que o espaço continue a existir.

“Pedimos de todo coração a todas as autoridades, brasileiras e venezuelanas, que não fechem o nosso Instituto Cultural Brasil Venezuela”, clama Simone. 

Irlanda Rincón, diretora do Instituto Cultural Brasil Venezuela
Irlanda Rincón, diretora do Instituto Cultural Brasil Venezuela E. Jorge

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