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Abalada por crises múltiplas, América Latina é uma das regiões que menos cresce no mundo, diz Le Figaro

Na resenha da imprensa francesa desta sexta-feira Le Figaro traz um dossiê especial sobre a América Latina, abalada por múltiplas crises.
Na resenha da imprensa francesa desta sexta-feira Le Figaro traz um dossiê especial sobre a América Latina, abalada por múltiplas crises. Fotomontagem RFI

O Le Figaro publica nesta sexta-feira (29) um dossiê especial sobre a América Latina, que, abalada por múltiplas crises, atravessa um momento preocupante. Da Colômbia ao Chile, passando pelo Equador, a contestação social ganha terreno na região. A Argentina está em recessão e o Brasil, gigante latino, desacelera. Sem esquecer a Venezuela, que vive uma situação "apocalíptica", ressalta o jornal conservador.

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Se na Colômbia e no Chile as manifestações têm motivações diferentes, os protestos contra o alto custo de vida, as políticas de austeridade e a corrupção das elites são alguns dos denominadores comuns, aponta o jornal conservador. As classes médias do continente e as minorias indígenas, que ganharam força nos anos dourados da primeira década do século 21, estão decepcionadas.

Uma das explicações, segundo o Le Figaro, é que a região sofre com a queda do preço das matérias-primas. Resultado, a América Latina tem hoje uma taxa de crescimento abaixo da média mundial. Este ano, ela será novamente a menor do planeta (1,3%). A queda do PIB será de 0,2%, contra uma alta de 3,9% para o conjunto das potências emergentes.

Falta de reformas

Os especialistas citados insistem que a região não soube aproveitar o período de crescimento nos anos 2000 para realizar reformas estruturais. Os países latino-americanos não instauraram uma política fiscal, mais inclusiva, que permitiria mudar seu modelo econômico voltado quase exclusivamente para as exportações.

Outro problema, aponta o jornal, é que a América Latina sofre com a falta de integração. Cerca de 85% das trocas comerciais latino-americanas são feitas com países de fora da região, em particular a China, grande cliente do minério de ferro brasileiro e do cobre chileno e peruano. Mas o texto não analisa se as eleições presidenciais recentes no continente vão redefinir ou complicar ainda mais esta falta de integração.

Brasil

O dossiê faz uma análise detalhada de cada país. Sobre o Brasil, primeira potência latina, ele diz que o país tem dificuldades em superar vários anos de crise. O descontentamento generalizado da população brasileira levou ao poder o líder de extrema direita Jair Bolsonaro, que tem posturas radicais contra indígenas e os homossexuais, lembra Le Figaro.

As reformas liberais prometidas pelo ministro Paulo Guedes são consideradas indispensáveis para relançar a economia, escreve o jornal. Depois da reforma da Previdência, a medida urgente que deve ser implementada pelo governo brasileiro é a reforma fiscal para garantir a sustentabilidade das finanças públicas e readquirir a confiança dos investidores, aconselha Jens Arnold da OCDE, entrevistado pelo jornal francês. O Brasil, como outros países da região, sofre com a falta de investimentos e o déficit de produtividade que emperram o crescimento potencial.

Como reflexo dessas dificuldades, os protestos nas ruas de vários países fazem sentir o vento da necessidade dessas reformas, acredita o jornal, que encerra a reportagem com uma a seguinte citação: "a exemplo dos Chile, os latino-americanos visam construir avanços democráticos e a obtenção de uma nova constituição", espera Christophe Ventura, diretor do Iris, Instituto francês de Relações Internacionais e Estratégicas.

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