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América Latina

Denúncias de corrupção iniciam nova crise política na Venezuela e ameaçam Guaidó

Juan Guaidó termina seu mandato à frente do Parlamento em 5 de janeiro
Juan Guaidó termina seu mandato à frente do Parlamento em 5 de janeiro MATIAS DELACROIX / AFP

Uma investigação divulgada neste domingo (1°) revela denúncias de corrupção contra aliados do líder opositor venezuelano, Juan Guaidó. As informações desencadearam uma crise que enfraquece sua estratégia de expulsar do poder o presidente Nicolás Maduro.

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A investigação jornalística publicada pelo site Armando.Info aponta o envolvimento de nove deputados da oposição – alguns da Comissão de Controladoria do Parlamento – em manobras em favor do empresário colombiano Carlos Lizcano, vinculado a um programa de Maduro para distribuir alimentos subsidiados.

Lizcano é identificado pelo portal como "subalterno" de outros dois empresários colombianos, Alex Saab e seu sócio Álvaro Pulido, sancionados em 25 de julho pelos Estados Unidos após acusações de sobrepreços em suas importações de alimentos para os chamados Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP). Saab e Pulido enfrentam acusações da justiça americana por lavagem de dinheiro proveniente do plano de Maduro, que a oposição denuncia como estratégia de controle social.

Os legisladores, de acordo com a investigação, enviaram pedidos às autoridades da Colômbia e dos Estados Unidos de "indulgência" para Lizcano, considerando que ele não esteve envolvido nos crimes de Saab e Pulido.

"Não permitirei que a corrupção ponha em risco tudo o que sacrificamos (...) nem ao regime nem a um pequeno grupo de imorais que querem fraturar os venezuelanos. Não vamos encobrir os crimes de ninguém", reagiu Guaidó, chefe do Legislativo e reconhecido como presidente interino por cinquenta países. O líder da oposição anunciou medidas contra essas denúncias.

Os principais partidos da oposição - Vontade Popular e Primeiro Justiça – excluíram de suas bancadas legislativas cinco dos deputados que aparecem no relatório do Armando.Info. Os demais fazem parte de outros partidos. As legendas também anunciaram investigações internas para determinar "responsabilidades" e possíveis "sanções".

Neste momento, Guaidó tenta, sem muito sucesso, reativar os protestos contra Maduro. A aceitação do opositor, que se autoproclamou presidente em 23 de janeiro, tem caído, enquanto o presidente socialista resiste com o apoio de um setor da população, militares, Cuba, Rússia e China. Sua popularidade, que atingiu 63%, caiu para 42% em outubro, segundo pesquisa Datanálisis.

Se não conseguir lidar com as denúncias de corrupção, sua imagem poderá se desgastar ainda mais.Em 5 de janeiro, Juan Guaidó terminará seu mandato à frente do Parlamento. Embora existam acordos para sua continuidade, grupos minoritários criticam sua estratégia contra o chavismo e outros estão em negociações com Maduro.

(Com informações da AFP)  

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