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EUA/Impeachment

Começa fase jurídica de processo de impeachment nos EUA; Trump fala em “piada”

Os integrantes do Comitê de Justiça da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos reunidos nesta quarta-feira, 4 de dezembro de 2019.
Os integrantes do Comitê de Justiça da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos reunidos nesta quarta-feira, 4 de dezembro de 2019. Saul Loeb/Pool via REUTER

O Comitê de Justiça da Câmara de Representantes dos Estados Unidos começou nesta quarta-feira (4) o debate jurídico para determinar se as "provas esmagadoras" que os democratas dizem ter reunido contra Donald Trump justificam o pedido de impeachement. O presidente americano disse que o relatório apresentado pela oposição é uma "piada" e criticou essa nova fase do processo.

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Anne Corpet, correspondente da RFI em Washington

"O que eles estão fazendo é uma coisa muito ruim para o nosso país", disse Trump quando questionado sobre o relatório do Comitê de Inteligência da Câmara dos Deputados, durante uma reunião no Reino Unido com o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte. O presidente americano estava em Watford, perto de Londres, onde participou da cúpula da Otan.

Ao abrir o debate jurídico sobre o impeachment, o chefe do Comitê de Justiça da Câmara dos Deputados, Jerry Nadler, afirmou que Trump estava disposto a comprometer a segurança nacional em prol de seu benefício pessoal e político. "Direta e explicitamente ele possibilitou a interferência estrangeira em nossas eleições", disse Nadler. "Nunca um presidente combateu com tanto ardor as atribuições do Congresso. O nível de obstrução desta administração é sem precedentes”, criticou o presidente da comitê.

A raiz da denúncia é a conversa telefônica e o pedido do líder republicano ao presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, para que investigasse um de seus possíveis rivais nas eleições de 2020, o democrata Joe Biden, e os negócios de seu filho no país. A oposição democrata, que detém a maioria na Câmara, está convencida que houve abuso de poder para favorecer a campanha à reeleição de Trump. Um dos principais argumentos é a vinculação do pedido à ajuda militar americana de aproximadamente US$ 400 milhões, destinada a esse país em conflito com a Rússia.

Advogados da Casa Branca não participam

Jerry Nadler convidou advogados da Casa Branca para participar da audiência, mas eles se negaram, denunciando um procedimento "injusto". No entanto, se reservaram à possibilidade de intervir posteriormente.

Quatro juristas - três eleitos pelos democratas e um pelos republicanos – tentam determinar se o comportamento de Trump é um crime que pode provocar seu impeachment. Os motivos da destituição previstos na Constituição dos Estados Unidos são atos "de traição, corrupção ou crimes e delitos graves". Para os três especialistas indicados pelos democratas, o presidente cometeu “abuso de poder” e feriu a Constituição.

O profissional indicado pelos republicanos é mais reservado. Ele denunciou as divisões criadas pelo caso e estimou que destituir Trump reduziria as barreiras legais, aplicadas até agora, em processos de impeachment.

Interesses pessoais contra nacionais

O procedimento visando a destituição de Trump, classificado de “farsa” pelos republicanos, foi iniciado em setembro, quando o Comitê de Inteligência foi encarregado da investigação. O relatório de 300 páginas, divulgado na terça-feira (3), sentencia que "os pais fundadores prescreveram um remédio para quando um chefe do executivo põe seus interesses pessoais acima dos do país: a destituição".

A Casa Branca reagiu ao relatório, classificando a investigação de "impostura" e assegurando que não foi encontrada "nenhuma prova" contra Trump. "Esse relatório não mostra nada além das frustrações" dos democratas, "se lê como as divagações de um blogueiro de pouca relevância que tenta demonstrar algo que está claro que não existe", declarou a porta-voz do governo, Stephanie Grisham.

(Com informações da AFP)

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