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EUA

Comissão valida acusações contra Trump e dá sinal verde para voto do impeachment

"As pesquisas estão nas nuvens", ironizou Trump, indicando que o processo pode beneficiá-lo politicamente.
"As pesquisas estão nas nuvens", ironizou Trump, indicando que o processo pode beneficiá-lo politicamente. REUTERS/Jonathan Ernst

A ata de acusação de Donald Trump foi aprovada nesta sexta-feira (13) por uma comissão de maioria democrata do Congresso norte-americano, superando uma etapa decisiva antes de uma votação histórica no processo de impeachment do presidente dos Estados Unidos. No entanto, a maioria republicana do Senado torna praticamente impossível uma destituição do chefe da Casa Branca.

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Com informações de Anne Corpet, correspondente da RFI em Washington

O voto da Comissão Judiciária da Câmara de Representantes estava previsto para quinta-feira (12), mas democratas e republicanos se enfrentaram noite adentro, adiando o resultado. Os defensores de Trump tentaram bloquear o processo por meio de emendas e, após 14 horas de debate, a Comissão aprovou por 23 votos a favor, e 17 contra, duas acusações contra o republicano: "abuso de poder" e "obstrução do Congresso".

"Hoje é um dia solene e triste", disse o presidente do comitê, Jerry Nadler, depois das votações, convocadas com surpreendente rapidez após um maratônico debate televisionado no dia anterior e que se estendeu até quase meia-noite. Agora, a ata segue de volta para a Câmara, que deve votar neste texto em sessão plenária prevista para quarta-feira, de acordo com a imprensa local.

A maioria democrata na Casa já avisou que a acusação será aprovada, mas, diante do domínio republicano no Senado, é pouco provável que Trump seja afastado do cargo. Enquanto na Câmara basta uma maioria simples para aprovação, no Senado é necessária uma maioria de dois terços.

Trump diz ser vítima de uma “caça às bruxas”

A Casa Branca considerou a aprovação das acusações contra Trump como o "final vergonhoso" de uma "farsa desesperada". "O presidente espera receber, no Senado, o tratamento justo e o devido processo que a Câmara continua negando, vergonhosamente", disse a secretária de Imprensa de Trump, Stephanie Grisham, em um comunicado.

Trump voltou a chamar o processo contra ele de "caça às bruxas" e "fraude", afirmando, porém, que está sendo beneficiado politicamente. "As pesquisas estão nas nuvens", disse ele à imprensa, ao receber na Casa Branca seu colega paraguaio, Mario Abdo.

Nas redes sociais, o presidente também ironizou o debate sobre sua possível destituição. "Como se alvo impeachment quando não se fez nada de errado, se cria a melhor economia da história do nosso país (...) gera empregos, empregos, empregos? Loucura!", disse o chefe da Casa Branca. 

Seguindo os passos de Bill Clinton e Richard Nixon

Os congressistas democratas afirmam que Trump reteve, por interesses eleitorais e pessoais, ajuda militar para a Ucrânia. Ele também é acusado de oferecer uma visita à Casa Branca ao presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, em troca de Kiev abrir uma investigação contra o ex-vice-presidente Joe Biden. O democrata é um dos principais rivais democratas do republicano para as eleições de 2020.

Os democratas também consideram que Trump cometeu obstrução ao tentar bloquear os esforços do Congresso de investigar as ações do presidente. Os rivais de Trump alegam que se trata de uma violação da Constituição, a qual concede ao Legislativo um mandato de supervisão do Poder Executivo.

Antes de Trump, dois presidentes americanos enfrentaram um julgamento político: Andrew Johnson, em 1868, e Bill Clinton, em 1998. Mergulhado no "Watergate", o republicano Richard Nixon renunciou, em 1974, antes da votação, evitando o impeachment.

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