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EUA/Iraque

Depois de ataque contra milícia pró-Irã, EUA acusam Iraque de não proteger “interesses americanos”

Forças iraquianas na cidade da Al Qaim
Forças iraquianas na cidade da Al Qaim AHMAD AL-RUBAYE / AFP

Os Estados Unidos acusaram nesta segunda-feira (30) as autoridades iraquianas de não terem agido para proteger “os interesses americanos”, um dia depois do ataque contra bases das brigadas do Hezbollah no Iraque, que deixou pelo menos 25 mortos.

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“Nós prevenimos o governo iraquiano diversas vezes e dividimos informações para que assumisse sua responsabilidade na nossa proteção”, declarou um alto responsável do Departamento do Estado americano em Washington. Na noite de domingo (29), caças americanos atacaram várias bases no Iraque e na Síria pertencentes às brigadas do Hezbollah, uma das facções mais radicais da Hashd al Shaabi, uma coalizão paramilitar iraquiana.

Os ataques perto de Al Qaim, localidade iraquiana na fronteira com a Síria, mataram 25 e feriram 51 pessoas, incluindo comandantes e combatentes, e o número ainda poderia aumentar. Os bombardeios americanos se concentraram em bases e depósitos de armas das Brigadas na fronteira entre Iraque e Síria, afirmou o porta-voz do Pentágono, Jonathan Hoffman.

De acordo com o vice-secretário de Estado americano, David Schenker, os bombardeios contra as bases do Hezbollah, na fronteira com a Síria, ocorreram em represália pela morte, na sexta-feira (27), de um civil americano que trabalhava em Kirkuk. Ele foi atingido por um ataque de foguetes das brigadas do Hezbollah. "Foi uma resposta séria, mas proporcional", disse. "Não queremos uma escalada aqui, pelo contrário", declarou.

Brian Hook, representante especial do Departamento de Estado do Irã, disse que o presidente Donald Trump foi “muito paciente”, já que não reagiu a uma série de ações atribuídas ao Irã, incluindo 11 ataques com foguetes contra instalações dos EUA e a coalizão internacional no Iraque, desde outubro. “O presidente foi muito paciente. Mostrou uma grande moderação", disse Hook.

"Esperamos que o Irã não confunda nossa moderação com fraqueza. Mas, depois de tantos ataques, era importante que nossas forças armadas respondessem de uma forma que o regime iraniano entendesse”, acrescentou. "Não toleraremos ataques contra cidadãos americanos, nossas forças armadas ou nossos parceiros e aliados na região", acrescentou Hook. O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Mark Esper, disse que os ataques foram bem-sucedidos e não descartou ataques adicionais.

Iraque diz que vai rever relações

A represália do exército americano provocou uma grande indignação no Iraque. O governo reagiu afirmando que será forçado a "rever suas relações" com os Estados Unidos. "Esses ataques violam a soberania do Iraque e as regras de engajamento da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos presentes no país para combater os jihadistas", afirmou o governo após uma reunião do conselho de segurança.

"Isso força o Iraque a rever suas relações e sua estrutura nas áreas de segurança, política e legal, para proteger sua soberania", acrescentou. O governo do Irã afirmou que os ataques demonstram que Washington "apoia o terrorismo" porque as brigadas do Hezbollah pertencem a Hashd al Shaabi, uma coalizão de paramilitares formada para lutar contra o grupo Estado Islâmico (EI) e integrada às forças de segurança iraquianas.

O movimento pró-iraniano libanês Hezbollah - separado das brigadas do Hezbollah - denunciou uma "violação flagrante da soberania" do Iraque e recordou o papel do Hashd na luta contra o EI. O porta-voz militar do primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi denunciou uma violação da soberania iraquiana, enquanto as Brigadas do Hezbollah pediram a "expulsão do inimigo americano".

Outra facção pró-Irã, Asaib Ahl Al Haq, um dos grupos armados mais poderosos do Iraque e cujos líderes foram alvos recentemente de sanções de Washington, afirmou que a "presença militar americana se tornou um fardo para o Estado iraquiano e, sobretudo, uma fonte de ameaças". O número dois do Parlamento iraquiano, que pertence ao movimento do líder xiita Moqtada Sadr, pediu ao Estado que "adote as medidas necessárias" diante dos ataques americanos.

(Com informações da AFP)

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