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EUA/protestos

Em discurso, aiatolá Khamenei descarta diálogo com EUA e critica protestos no país

O aitolá Ali Khamanei, guia supremo do Irã, durante discurso nesta sexta-feira (17).
O aitolá Ali Khamanei, guia supremo do Irã, durante discurso nesta sexta-feira (17). HO / KHAMENEI.IR / AFP

O aiatolá Ali Khamenei, líder religioso do Irã, presidiu nesta sexta-feira (17) em Teerã a grande oração semanal muçulmana, o que não fazia desde 2012. Em seu discurso, o guia supremo afirmou que "o Irã não é hostil às negociações sobre seu programa nuclear”, mas descartou o diálogo com os Estados Unidos.

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Em seu discurso, Khamenei também falou sobre o avião ucraniano derrubado por engano por um míssil iraniano, na semana passada. Segundo ele, o drama não "pode ofuscar o sacrifício do general Qassim Suleimani", morto em um ataque americano em Bagdá, no início do mês.

Chefe da Guarda Revolucionária, exército ideológico do Irã, Suleimani era reconhecido como o arquiteto da estratégia de influência regional do Irã. O guia iraniano elogiou a ação do general além das fronteiras do país pela "segurança" da nação e afirmou que o povo iraniano é a favor da "firmeza" e da "resistência" diante dos "inimigos".

Em represália à morte de Suleimani, o Irã disparou mísseis contra duas bases usadas pelos Estados Unidos no Iraque, ferindo 11 soldados americanos. No mesmo dia, o país derrubou "por engano" um Boeing da Ukrainian International Airlines (UIA) alguns minutos depois da decolagem em Teerã. O desastre deixou 176 mortos, a maioria iranianos e canadenses.

O guia supremo iraniano também manteve uma atitude inflexível sobre as manifestações no país e a demora do governo em assumir a responsabilidade da queda do avião. Ele deixou entender que a revolta não representa o sentimento de toda a população.

Forte tensão com os EUA

O discurso de Ali Khamenei acontece em um momento de forte tensão com os Estados Unidos. A fala do líder foi interrompida diversas vezes por gritos de "Morte à América" e "Morte à Israel".

No entanto, o pronunciamento difere do tom empregado pelo presidente iraniano Hassan Rohani nesta quinta-feira (16). O chefe de Estado disse que reconhece a existência de uma crise de confiança do povo em relação às autoridades e defendeu sua política de abertura ao ocidente.

Com a aproximação das eleições legislativas de 21 de fevereiro, anunciadas como difíceis para Rohani, e em um contexto de tensões crescentes entre Teerã e o Ocidente sobre o programa nuclear iraniano, o presidente também declarou que queria continuar dialogando com o mundo sobre a questão. Washington se retirou em 2018 do acordo nuclear internacional iraniano e restabeleceu as sanções econômicas contra Teerã.

A discrepância entre os dois discursos mostra duas tendências diferentes lideranças do país neste momento. As mídias oficiais iranianas afirmam que o discurso do líder supremo será determinante nas futuras decisões no país. Por enquanto, os Estados Unidos ainda não reagiram à fala de Ali Khamenei.

(Com informações da AFP)

 

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