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Estados Unidos

Americanos vão às ruas na Virgínia para defender direito ao porte de armas

Manifestantes exibiram suas armas durante o protesto nas ruas de Richmond, na Virgínia.
Manifestantes exibiram suas armas durante o protesto nas ruas de Richmond, na Virgínia. REUTERS/Stephanie Keith

Vestindo jaquetas de caça, milhares de americanos defensores do direito de possuir armas saíram às ruas de Richmond, capital do estado da Virgínia, nesta segunda-feira (20). O protesto foi seguido de perto por um forte aparato policial, para evitar ações violentas de grupos de extrema direita.

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Enfrentando as baixas temperaturas do inverno, os manifestantes se reuniram logo no início da manhã para denunciar projetos de lei apresentados por democratas restringindo o acesso a armento pelos cidadãos neste estado do leste do país.

A segurança foi reforçada na Praça do Capitólio, sede do governo local, onde os manifestantes se reuniram. Vários exibiam adesivos onde se lia "armas salvam vidas".

"Nas últimas décadas, os políticos tentaram aprovar leis que dificultam a compra de armas de fogo por cidadãos cumpridores da lei. Estamos em péssima situação. É nosso direito constitucional, que Deus deu, de nos armarmos ", disse Brooks, 24 anos, morador de Richmond, uma cidade geralmente pacífica de 200.000 habitantes. O jovem estava acompanhado de um grupo de amigos. Um deles carregava um fuzil AR-15 sobre ombro, um tipo de armamento que foi proibido em locais de manifestação.

A medida foi tomada depois que o governador democrata, Ralph Northam, declarou na quarta-feira (15) estado de emergência em locais de grandes manifestações. A partir de sexta-feira (17) até terça-feira (21) à noite, o porte de armas de fogo (normalmente autorizado nas ruas) foi interditado, assim como de objetos considerados potencialmente perigosos, como tacos de beisebol e correntes.

Vovó pelas armas

No meio dos manifestantes estava Betty Comerford, 73 anos. A idosa viajou de Leesburg, a cerca de 200 km de distância, para participar do ato. Ela carregava uma placa dizendo: "Avós pelas armas". "As armas são para proteção. As pessoas fogem quando as veem", afirmou a mulher.

Vários movimentos de extrema direita e grupos paramilitares anunciaram sua participação neste "Dia do Lobby" junto a políticos eleitos. O protesto foi organizado pela Liga de Defesa dos Cidadãos da Virgínia (VCDL).

O grupo denuncia o que considera uma afronta à segunda emenda da Constituição dos Estados Unidos, que garante o "direito do povo de possuir e de portar armas". Porém, este artigo é objeto de várias interpretações divergentes e a Suprema Corte do país acabou limitando esse direito ao domicílio, deixando que cidades e estados regulassem o transporte de armas.

Apoio presidencial

O presidente Donald Trump, um grande defensor do lobby pró-armas, apoiou os manifestantes.

"O Partido Democrata da Virgínia está fazendo tudo para privar as pessoas de direitos previstos na segunda emenda. Este é apenas o começo. Certifique-se de que isso não aconteça, vote no partido republicano em 2020!", afirmou o presidente num tuíte, nesta segunda-feira.

O movimento de protesto se espalhou por todo o estado, e mais de cem municípios e localidades se proclamaram "santuários da segunda emenda". A Virgínia faz fronteira com a capital Washington e tem tradições conservadoras, mas passou a ser administrada por democratas em novembro. Os novos dirigentes prometeram combater a negligência com que acreditam ser tratado o problema do controle e venda de armas, especialmente após o massacre de Virginia Beach, que matou 12 pessoas, em maio.

Os projetos atualmente em estudo reforçam o exame dos antecedentes criminais dos compradores de armas, proíbem carregadores com mais de dez cartuchos e a compra de mais de uma arma por mês. Eles também permitem que um juiz apreenda armas de indivíduos considerados perigosos. Um plano para proibir a venda de rifles semiautomáticos foi abandonado.

Segundo o governador da Virgínia, os organizadores do protesto desta segunda-feira queriam que fosse um evento pacífico, mas temia que a situação fugisse do controle. Northam falou de ameaças "sérias e confiáveis" de "violência, confronto armado e ataques ao Capitólio", além de "planos de ação de milícias e grupos racistas".

"Não queremos ver um drama como o de Charlottesville", alertou, referindo-se a outra cidade da Virgínia, onde confrontos entre supremacistas brancos e militantes antifascistas acabaram matando e ferindo dezenas de pessoas, em agosto de 2017.

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