Acessar o conteúdo principal
Linha Direta

Sanders vence primárias em New Hampshire, mas disputa entre pré-candidatos democratas segue acirrada

Áudio 06:26
Democratic U.S. presidential candidate Senator Bernie Sanders is accompanied by his wife Jane O’Meara Sanders and other relatives as he speaks at his New Hampshire primary night rally in Manchester, N.H., U.S., February 11, 2020
Democratic U.S. presidential candidate Senator Bernie Sanders is accompanied by his wife Jane O’Meara Sanders and other relatives as he speaks at his New Hampshire primary night rally in Manchester, N.H., U.S., February 11, 2020 REUTERS/Mike Segar

O Partido Democrata respirou aliviado ao divulgar os resultados, poucas horas depois das eleições primárias serem realizadas no estado de New Hampshire, na terça-feira (11). O problema na apuração dos votos em Iowa, na semana passada, foi motivo de chacota entre os rivais republicanos. A tensão continua alta entre os pré-candidatos progressistas que estão competindo para enfrentar Donald Trump nas eleições presidenciais de novembro nos Estados Unidos.

Publicidade

Correspondente da RFI em Washington

Nas primeiras eleições primárias deste ano, realizadas em Iowa, na semana passada, o senador Bernie Sanders (Vermont) praticamente empatou com Pete Buttigieg, prefeito de South Bend, Indiana, no número de delegados, mas ganhou no voto popular. Em New Hampshire, Bernie foi o favorito, mas o Partido Democrata ainda está longe de ter um candidato que tenha uma clara liderança nessa disputa.

New Hampshire responde por apenas 24 delegados. O processo para nomeação é complexo, mas, em uma explicação mais simplificada, é preciso cerca de 2000 delegados para garantir a nomeação na convenção nacional do Partido Democrata em julho, em Milwaukee.

Em janeiro, o senador socialista foi o candidato democrata que conseguiu levantar mais dinheiro para sua campanha, chegando a US$ 25 milhões de doações - principalmente de indivíduos e não de grandes corporações, como é o caso de Joe Biden.

Mas a vitória de Bernie Sanders em New Hampshire também indica que houve uma diminuição em sua fatia de votos em relação às eleições primárias desse mesmo estado em 2016, quando o senador bateu com Hillary Clinton. Dessa vez, ele ficou com cerca de 26% dos votos, sendo seguido de Buttigieg que ficou com cerca de 24% e a senadora Amy Klobuchar (Minnesota) , com cerca de 20%.

Em 2016, Bernie Sanders teve uma liderança robusta nesse estado da região de New England, ficando com cerca de 60% dos votos e Hillary com cerca de 38%. É verdade que em 2016 só haviam dois pré-candidatos democratas, mas essa tendência para baixo pode revelar outros desafios para o senador.

Apesar da vitória em New Hampshire, Bernie ainda corre um risco elevado de novamente não ter a nomeação do partido. Além disso, o prefeito Buttigieg, que não tem a experiência nem a fama de Bernie, está numa disputa bem apertada. Com 79 anos nas eleições de novembro, o socialista pode ser o candidato mais idoso a ser eleito para a Casa Branca

Pelo que os números indicam, apenas cerca de cerca de 63% dos eleitores de New Hampshire que votaram em Bernie em 2016 compareceram às urnas desta vez. As pesquisas indicam que os eleitores desse estado - que tem pouca representação de minorias - estão agora mais moderados politicamente do que há quatro anos. Apesar de ter ganho o maior número do voto popular na eleição presidencial de 2016, Hillary foi uma candidata que muitos eleitores viam com antipatia, pois representava a elite de Washington.

Lideranças democratas não querem Bernie

Embora Bernie faça parte da política americana há décadas, ele ainda é visto como um revolucionário que luta contra o status quo. Essa qualidade não tem tanto apelo quando a economia apresenta um desempenho sólido, como no momento. Talvez por isso mesmo a liderança do Partido Democrata mal esteja disfarçando que prefere não contar com Bernie para enfrentar Trump em novembro. Afinal, os eleitores independentes podem não querer arriscar uma mudança na economia. Por outro lado, a maior parte dos eleitores democratas dizem que a sua principal prioridade é tirar Trump da Casa Branca.

Há até pouco tempo, Joe Biden era o favorito da liderança do partido democrata. O fato de Biden ter sido vice-presidente de Barack Obama era visto como uma garantia de que os votos dos americanos negros - um grupo de eleitores fundamental para os democratas - iriam para ele. Além disso, ele é um político bastante conhecido dos americanos e moderado. Ou seja, com ele Washington voltaria ao normal, depois do furacão Trump.

Mas Biden foi muito mal tanto em Iowa quanto em New Hampshire - ficando em quarto e quinto lugar, respectivamente. Além de cada vez mais dar sinais de desgaste, o processo de impeachment que os próprios democratas promoveram contra Trump, acabou por prejudicar o ex-vice-presidente, pois a sua conduta, no mínimo duvidosa, em relação à Ucrânia ganhou muita exposição. Obama também não parece entusiasmado e nem oferece palavras de apoio à candidatura de Biden.

Elizabeth Warren, que por muito tempo foi considerada uma das pré-candidatas mais fortes, também está perdendo espaço e teve um desempenho fraco em New Hampshire (cerca de 9%), o que foi uma surpresa, já que esse é um estado vizinho de Massachusetts, que que ela representa como senadora. Já Buttigieg e Klobuchar estão ganhando impulso.

Klobuchar foi bem no debate dias antes das primárias de New Hampshire – parecendo ser a única que falava ao americano comum e queria mesmo chegar à Casa Branca. Muitos começaram a se animar com sua candidatura. Amy – como prefere ser chamada - pode ser mesmo a melhor arma contra Trump, pois apesar de ser experiente, ela não é vista como membro do velho clube da política de Washington, como Biden ou Bernie. Além disso, demonstra ser uma candidata honesta e moderada e conta com o diferencial de ser mulher. Mas a senadora de Minnesota ainda precisa conquistar o apoio de grandes doares e da imprensa em geral.

Próximas primárias

Os estados de Nevada e Carolina do Sul são os próximos a realizar as primárias do Partido Democrata. Um desempenho sólido na Carolina do Sul é especialmente importante para Biden, pois conta com uma grande população negra (27%), simpatizante do ex-vice-presidente.

Biden precisa mostrar que ainda é viável ou vai perder o dinheiro que recebe de grandes instituições, o que pode ser vantajoso para Buttigieg ou Klobuchar. No entanto, segundo as últimas pesquisas, Bernie está começando a atrair cada vez mais o voto das minorias.

Além disso, o bilionário Mike Bloomberg, que só vai entrar na disputa a partir das primárias da Super Tuesday - em 3 de março, quando 15 estados distribuem 1344 delegados – já investiu US$ 300 milhões na sua campanha e está ganhando popularidade com as minorias. Os latinos representam 30% da população de Nevada e os votos deles devem ir principalmente para Biden e Bernie.

No momento, o Five Thirty Eight, um site especializado na análise de pesquisas, diz que há 27% de chance de o Partido Democrata ainda não ter um candidato para nomeação na convenção de julho. Isso é um indício significativo da gravidade da atual divisão dentro da legenda.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.