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Linha Direta

The Room Where it Happened: A White House Memoir- A sala onde tudo aconteceu: Memórias da Casa Branca

John Bolton, ex-assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, lança nesta terça-feira seu livro “The Room Where it Happened: A White House Memoir” (“A sala onde tudo aconteceu: Memórias da Casa Branca”.
John Bolton, ex-assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, lança nesta terça-feira seu livro “The Room Where it Happened: A White House Memoir” (“A sala onde tudo aconteceu: Memórias da Casa Branca”. AP - Alex Brandon

O livro de John Bolton sobre os bastidores da Casa Branca, no período em que foi conselheiro de Segurança Nacional de Donald Trump, é lançado nesta terça-feira nos Estados Unidos. Trechos da obra, que tem uma narrativa explosiva contra o magnata republicano e a equipe no poder em Washington, vêm sendo publicados há vários dias pela imprensa. Algumas revelações são constrangedoras, mas não chegam a impactar seriamente a campanha para a reeleição de Trump em novembro. 

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Da correspondente da RFI em Washington

A obra tem uma narrativa explosiva e tem sido um tema central há alguns meses em Washington, inclusive durante o processo de impeachment do presidente americano, no início deste ano. Naquela ocasião, Bolton começou a promover o livro prometendo compartilhar histórias de uma Casa Branca em constante caos sob o governo de Trump que o ex-conselheiro de Segurança Nacional tinha testemunhado durante sua atuação no cargo por pouco mais de um ano e meio, entre 2018 e 2019.

Nas memórias que a revista New Yorker chama de “acerto de contas em Washington em escala épica”, Bolton, que sempre teve fama de gostar de guerra, mostra que é tão belicoso no teclado quanto no sentido estrito da palavra. E Trump não é seu único alvo. O ex-membro do gabinete presidencial também ataca entre outros, Nikki Haley, que foi embaixadora para os EUA na Organização das Nações Unidas (ONU), alegando que ela que fazia autopromoção para avançar na sua carreira política e tentava agradar a família de Trump, James Mattis, ex-secretário de Defesa, caracterizando o general de “burocrata que não deixava nada ir adiante, além do atual secretário de Estado, Mike Pompeo, o chamando de “hipócrita”. Mas o foco do livro é mesmo Trump, e isso, sem dúvida incomodou, o presidente americano. A Casa Branca tentou impedir que o livro fosse publicado alegando que continha informações confidenciais, mas, no sábado (20), um juiz federal, decidiu em favor de Bolton.

A acusação mais escandalosa das 500 páginas do livro é que Trump teria pedido a ajuda do presidente chinês Xi Jinping para que conseguisse se reeleger nas eleições de novembro. Além disso, Bolton conta que o presidente americano teria dito a Jinping que a China estava fazendo a coisa certa ao construir campos de concentração para cerca de um milhão de muçulmanos Uigur. Além de confirmar que Trump de fato tinha condicionado ajuda à Ucrânia a uma investigação do seu rival nas urnas, Joe Biden, Bolton no decorrer do livro indica que Trump não tem competência para o cargo que ocupa, não lê os relatórios que recebe sobre política internacional, e o presidente americano é facilmente controlado por Vladimir Putin.

A credibilidade de Bolton deveria ser grande, pois ele teve bastante contato com Trump e realmente presenciou - ou pelo menos teve conhecimento detalhado - das interações do presidente americano com outros líderes políticos. Mas a credibilidade do ex-conselheiro está sendo posta em dúvida tanto por republicanos quanto por alguns dos maiores inimigos do presidente, como o deputado Adam Schiff, da Califórnia, que comandou o processo de impeachment. O deputado acusa Bolton de covardia e ganância. A acusação de Schiff faz sentido. Afinal, os democratas queriam que Bolton prestasse testemunho no Congresso durante o processo de impeachment, mas o ex-conselheiro se recusou. Agora, basta pagar US$ 20 por um exemplar para que qualquer um possa ter acesso ao que Bolton supostamente sabia.

Mesmo o diário Washington Post, que faz oposição aberta a Trump, não recebeu bem o livro e apontou para a falta de capacidade de autocrítica do ex-conselheiro. Agora, a Coreia do Sul está disputando a narrativa de Bolton, dizendo que cria um “precedente perigoso”. Na obra, Bolton diz que o líder sul-coreano, Moon Jae-in, tinha uma postura “esquizofrênica” quanto aos seus planos de reunificação das duas Coreias e as negociações entre Trump e Kim Jong Un. A propósito, o livro de Bolton fez com que a maior parte de Washington finalmente concordasse com posição da Coreia do Norte. Durante o governo de George Bush, quando Bolton era embaixador na ONU, a ditadura chamava o ex-conselheiro de “demônio em forma humana”.

Se as alegações mais graves forem, de fato, verdadeiras, isso pode fazer com que Bolton seja visto de maneira ainda pior, pois tinha obrigação de ter agido de acordo com os interesses nacionais e não do seu bolso. O ex-conselheiro recebeu um pagamento inicial de US$ 2 milhões pelo livro.

Mas as revelações dos bastidores da Casa Branca não devem ter grande impacto sobre a campanha para a reeleição de Trump. Não é segredo que o republicano tem uma presidência caótica, é grosseiro e não se interessa por detalhes de tópico algum. Confirmação disso não deve causar com que os eleitores de Trump o abandonem. Além disso, os democratas não estão interessados em promover Bolton. O lançamento do livro apenas solidificou a suspeita da falta de caráter de Bolton ao se recusar a depor no Congresso contra o presidente, e os democratas não parecem dispostos a perdoá-lo. Além disso, Bolton - que é republicano - disse que, apesar de acreditar que Trump não tem condições de ocupar a Casa Branca, ele não votará em Biden, preferindo não votar em ninguém na eleição de 3 de novembro.

 

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