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Europeus prometem "medidas de reciprocidade" após Maduro expulsar embaixadora da UE em Caracas

A decisão de Maduro aprofunda o isolamento internacional de seu governo, sem relações com Washington e com os principais países da região.
A decisão de Maduro aprofunda o isolamento internacional de seu governo, sem relações com Washington e com os principais países da região. REUTERS - Manaure Quintero

O presidente Nicolás Maduro deu prazo de 72 horas para a embaixadora da União Europeia, a portuguesa Isabel Brilhante Pedrosa, deixar a Venezuela. A decisão, anunciada na noite de segunda-feira (29) durante a premiação de jornalistas venezuelanos no Palácio Presidencial de Miraflores, gerou condenação do chefe da diplomacia europeia, o espanhol Josep Borrell. Na manhã desta terça-feira (30), Borrell anunciou medidas de "reciprocidade" contra o governo venezuelano.

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Da correspondente da RFI em Caracas

O presidente venezuelano anunciou a expulsão da embaixadora da União Europeia (UE) em Caracas poucas horas depois de o bloco europeu impor sanções a 11 aliados do governo Maduro envolvidos em ações contra a oposição. Em resposta, o chefe da diplomacia europeia declarou pelo Twitter que tomará "medidas recíprocas". "Somente uma solução negociada entre os venezuelanos permitirá que o país saia de sua profunda crise", acrescentou Borrell.

 "Vamos convocar a embaixadora de Maduro nas instituições europeias hoje e, a partir daí, veremos quais medidas podem ser seguidas", disse a porta-voz da diplomacia europeia, Virginie Battu. "Mas a UE não pode expulsar fisicamente um embaixador de um território, pois é uma competência do país anfitrião", acrescentou Battu, principalmente quando a embaixadora da Venezuela na UE, Claudia Salerno, também representa o país na Bélgica e em Luxemburgo.

Os europeus poderiam, assim, declará-la "persona non grata" sob a Convenção de Viena, acrescentou a porta-voz do bloco, especificando que Bruxelas e os países europeus estão falando sobre as medidas a serem adotadas.

Maduro chegou a oferecer um avião para que a embaixadora europeia deixe o país. Os voos comerciais continuam proibidos, por causa da quarentena aplicada desde março para conter o avanço da epidemia do novo coronavírus.

Entre as pessoas próximas de Maduro sancionadas pela União Europeia estão Luis Parra, reconhecido pelo chavismo como o verdadeiro presidente da Assembleia Nacional – em vez do opositor Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por cerca de cinquenta países. Na lista também está o presidente da Sala Constitucional do Tribunal Supremo de Justiça.

O bloco europeu acusa os aliados de Maduro de agir contra o regime democrático da Assembleia Nacional, violentar a imunidades dos deputados, entre eles a de Juan Guaidó – político reconhecido no exterior como o verdadeiro presidente do Parlamento venezuelano. 

“Sancionam membros da diretoria da Assembleia Nacional, opositora, porque esta se negou a cumprir ordens da Embaixada da União Europeia em Caracas”, afirmou o presidente venezuelano.

Para Maduro, a “União Europeia continua tendo essa atitude arrogante, de superioridade, de se sentir superior a nós”. Ele também acusa o bloco europeu de estar de “joelhos” diante do presidente dos Estados Unidos e de copiar políticas “erráticas” contra a Venezuela. 

Até o momento, cerca de 36 membros do chavismo foram sancionados e estão proibidos de viajar a países da União Europeia. Além disso, eles tiveram bens congelados em alguns países do bloco.

Embaixador na mira

Na mira do presidente venezuelano também está José Silva Fernandez, o embaixador da Espanha em Caracas, a quem Maduro chama de “cúmplice” do opositor Leopoldo López em supostos planos para “assassinar” membros do chavismo.

López está na residência oficial da Espanha em Caracas desde 30 de abril de 2019, onde se instalou, na qualidade de hóspede, após a tentativa de golpe contra o governo Maduro.

O presidente venezuelano ameaçou o embaixador espanhol ao afirmar “esperem notícias nas próximas horas”.

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