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Honduras

Zelaya retorna a Honduras dois anos após golpe

Manuel Zelaya é recebido com festa em Honduras quase dois anos após o golpe de estado que o afastou do poder.
Manuel Zelaya é recebido com festa em Honduras quase dois anos após o golpe de estado que o afastou do poder. Reuters

O ex-presidente de Honduras Manuel Zelaya, afastado do poder por um golpe de estado em junho de 2009, fez um retorno triunfal a Tegucigalpa neste sábado. Milhares de partidários receberam o líder com festa no aeroporto da capital. Ele pôde retornar do exílio forçado na República Dominicana depois de selar um acordo com o presidente atual, Porfírio Lobo.

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Dois anos após o golpe de estado de 28 de junho de 2009, a simpatia de parte da população hondurenha por Manuel Zelaya não sofreu um arranhão. Ele foi recebido no aeroporto de Tegucigalpa por uma multidão de simpatizantes vestidos de vermelho. Zelaya chegou a Honduras proveniente da Nicarágua, depois de passar 16 meses de exílio forçado na República Dominicana. O ex-presidente estava acompanhado da mulher, Xiomara Castro, de sua filha, de duas netas e de personalidades políticas da região, como o ex-presidente panamenho Martin Torrijos, o chanceler da Venezuela, Nicolas Maduro, e a ex-senadora colombiana Piedad Cordoba. Sob um calor de 30 graus, alguns simpatizantes chegaram a passar mal pela longa espera. 

Zelaya foi deposto por um golpe de estado que recebeu o aval do Congresso e do Supremo Tribunal Federal hondurenhos sob o pretexto de que ele queria organizar uma consulta popular para mudar a Constituição, de modo a garantir a reeleição do presidente, iniciativa que a oposição e os poderes legislativo e judiciário considevaram ilegal na época. A elite do país, que o elegeu com base num programa liberal, não gostou da guinada de Zelaya à esquerda dois anos depois de chegar ao poder. Arrancado da cama por militares e levado ao aeroporto de pijama, Zelaya se viu no centro de um golpe que abriu uma grave crise diplomática na América Latina. O ex-presidente Lula foi um defensor intransigente de seu retorno ao poder e nunca reconheceu o sucessor, Porfírio Lobo. 

Há uma semana, após meses de negociações patrocinadas pela OEA (Organização dos Estados Americanos), Lobo e Zelaya assinaram um acordo de reconciliação na Colômbia, na presença do secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza. A justiça hondurenha retirou as queixas de corrupção e alta traição aos interesses da nação, abrindo caminho para o retorno de Zelaya a Tegucigalpa. A OEA chegou a excluir Honduras da organização, em represália ao golpe. Com a reintegração do país na organização, o governo de Honduras voltará a receber ajuda financeira internacional, uma fonte de recursos vital para 70% da população hondurenha, que vive com menos de 4 dólares por dia.

No plano político, Zelaya retorna com a intenção de brigar por um novo mandato presidencial de forma democrática e pacífica. Os hondurenhos devem votar em fevereiro próximo um referendo que pode mudar a Constituição e garantir a reeleição presidencial. Com forte capital político, principalmente entre a população humilde de Honduras, Zelaya poderá disputar um novo mandato presidencial em 2013.

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