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Mercosul/ encontro

Cúpula do Mercosul discute mudanças econômicas no bloco

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, à direita, se reúne com representantes de países na reunião de cúpula do Mercosul, que acontece nesta terça-feira em Montevidéu.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, à direita, se reúne com representantes de países na reunião de cúpula do Mercosul, que acontece nesta terça-feira em Montevidéu. REUTERS/Andres Stapff

A presidente Dilma Rousseff está em Montevideu nesta terça-feira para participar da Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul. Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, descartou mais uma vez o impacto da crise mundial na economia brasileira, durante reunião com os colegas sul-americanos.

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Márcio Resende, enviado especial da Rádio França Internacional a Montevidéu

Diante da crise econômica que afeta a Europa e os Estados Unidos, Brasil e Argentina querem elevar de forma individual a Tarifa Externa Comum do Mercosul em até 200 produtos que cada país julgar mais sensíveis à concorrência dos importados. A medida, definida como defesa comercial pelo Mercosul e protecionista por Europa, Estados Unidos e China, permitiria elevar ao máximo de 35% a taxa de importação de um produto de fora do bloco.

A lógica do ministro da Fazenda, Guido Mantega, é que a China tentará vender no Mercosul - cujos países estão em pleno crescimento - os produtos que não conseguir exportar para a Europa e os Estados Unidos, ambos em crise.

“Devemos fazer uma união maior entre os países para defendermos esse nosso mercado latino-americano dessas invasões de produtos que vêm de fora”, avalia Mantega. O ministro garantiu que, apesar da desaceleração econômica registrada no Brasil nos últimos meses, não há risco de recessão na economia brasileira. “[Não há] nenhum risco de recessão no Brasil. Nunca ouvi falar que crescimento de 3%, 3,5% fosse recessão. Apenas tivemos uma desaceleração na indústria. Isso está sendo superado. Já estamos em trajetória de crescimento.”

Mudanças no Mercosul

Enquanto os países do Mercosul tentam acelerar a entrada definitiva da Venezuela, o Equador fez o pedido formal de adesão como o sexto membro pleno do bloco. O pedido do país põe ainda mais pressão para a Venezuela sair do status de “membro em adesão” desde 2006 para “membro pleno”.

O que impede a incorporação definitiva da Venezuela, neste momento, é o Senado paraguaio. Todos os acordos do Mercosul precisam ser aprovados pelos Congressos dos países-membros. Como o Senado paraguaio não quer tratar da adesão da Venezuela, a ideia seria alterar as regras do Mercosul.

Conforme apurou a RFI em Montevidéu, em vez de ter que aprovar a entrada da Venezuela, o país caribenho seria declarado membro pleno pelos presidentes agora e o Senado paraguaio deveria votar essa decisão. A estratégia respeitaria, desta forma, a soberania do Paraguai, uma preocupação manifestada pelo chanceler brasileiro, Antonio Patriota.

“Gostaríamos de desenvolver uma estratégia com pleno envolvimento do Paraguai, pleno respeito à soberania e às sensibilidades paraguaias, mas de manifestar o interesse de aceleração do processo de integração da Venezuela ao Mercosul”, comentou o ministro.

Numa indicação de avanço da proposta, o chanceler uruguaio, Luis Almagro, confirmou ter recebido uma comunicação de Caracas que confirmava a presença do presidente venezuelano, Hugo Chávez, em Montevidéu. Seria a primeira viagem oficial de Chávez desde que foi diagnosticado com câncer.

O Mercosul também assina hoje um Tratado de Livre Comércio com a Palestina. No momento em que a Palestina ainda é motivo de debate na ONU, os países do Mercosul partem para uma ação concreta de reconhecimento na prática do estado palestino.

Márcio Resende, correspondente RFI em Montevidéu.

 

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