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EUA/Vazamento

Manning pede perdão, mas vê pena como preço da Liberdade

Bradley Manning é escoltado à corte marcial de Maryland, nos Estados Unidos, em foto desta terça-feira, 20 de agosto de 2013.
Bradley Manning é escoltado à corte marcial de Maryland, nos Estados Unidos, em foto desta terça-feira, 20 de agosto de 2013. REUTERS/Jose Luis Magana

Imediatamente depois que a sentença foi proferida, um grupo de pessoas dentro da corte manifestou seu apoio a Bradly Manning, o soldado responsável pelo maior vazamento de informações secretas da história dos Estados Unidos. Alguns exclamaram que ele é um herói, outros, que continuariam lutando por ele.

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Raquel Krähenbühl, correspondente da RFI em Washington

A Anistia Internacional, um grupo de defesa dos direitos humanos, ligou para o presidente Barack Obama para pedir que perdoe ou troque a sentença dele por tempo de serviço. "O governo deve voltar sua atenção para investigar e fazer justiça pelas graves violações de direitos humanos cometidas por seus funcionários em nome da luta contra o terror", disse Widney Brown, um diretor do grupo.

O advogado do soldado, David Coombs, também prometeu solicitar perdão ao presidente na próxima semana. A Casa Branca respondeu que esse pedido será considerado como outros.

Entretando os fatos pesam contra. A sentença de 35 anos de prisão que o soldado de 25 anos recebeu é a mais alta já aplicada em casos de vazamento de informações confidenciais. E o governo Obama queria mais. A principio pediu prisão perpétua defendendo que Manning tinha traído seu país e ajudado o inimigo, como a rede terrorista Al Qaeda. Depois que o jovem foi inocentado dessa acusação, o governo queria que ele ficasse 60 anos preso para mandar uma mensagem as pessoas que pretendem fazer o mesmo.

Por tudo isso, a sentença de hoje teve certo gosto de vitória para a defesa, que argumentou que o soldado era bem intencionado, que estava cada vez mais abalado com a violência no Iraque e que queria estimular o debate sobre a conduta de guerra e da diplomacia americana. O site Wikileaks, que oritenou Manning durante o processo, disse que foi uma “vitória estratégica significativa”.

A sentença ainda pode ser revista e o tempo de prisão pode cair pra menos de 10 anos. Manning vai receber um crédito de cerca de 4 anos pelo tempo que ficou detido sem julgamento e também pelo tratamento abusivo que recebeu no começo – ele passou nove meses em uma solitária. Além disso, depois de cumprir um terço da pena, ele tem direito à liberdade condicional.

Manning servia no Iraque como analista de inteligência e tinha acesso direto a informações confidenciais. Em 2009, ele entregou ao site Wikileaks mais de 700 mil documentos secretos, incluindo relatórios sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão. Desde 2010, ele está preso. No mês passado, foi considerado culpado em 20 acusações, incluindo seis de espionagem.

Agora, com a sentença anunciada, o soldado pretende enviar uma nota ao presidente que diz: “Eu fiz isso por amor ao nosso país. Se você negar meu pedido de perdão, vou cumprir minha pena sabendo que, às vezes, você tem que pagar um preço alto para viver em uma sociedade livre."

A administração Obama tem sido particularmente dura com o vazamento de informação. Das 11 pessoas que foram acusadas sob a lei de Espionagem de 1977, oito foram condenadas pelo atual governo. Edward Snowden - que recentemente revelou o esquema de espionagem global do governo americano - deve estar de olho em tudo isso.

 

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