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Israel/EUA

EUA condenam "brutal ataque terrorista" que matou bebê palestino

Milhares de pessoas acompanharam o enterro do bebê
Milhares de pessoas acompanharam o enterro do bebê Reuters

Os Estados Unidos condenaram nesta sexta-feira (31) o que consideraram um "brutal ato terrorista", em que colonos judeus incendiaram casas de palestinos, matando um bebê de 18 meses. Um comunicado do departamento de Estado pede a Israel que "prenda os assassinos" e pediu que as duas partes "impeçam uma escalada de tensões por causa deste incidente trágico".

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Um bebê palestino morreu queimado e seus pais ficaram feridos em estado grave quando colonos israelenses atearam fogo em sua casa na Cisjordânia ocupada, um ataque classificado de terrorista por Israel.

Essa classificação bastante incomum nesses casos e a condenação unânime dos líderes israelenses, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, não convenceram os palestinos, que responsabilizam o governo pela morte do bebê devido às "décadas de impunidade ante o terrorismo dos colonos".

O presidente palestino, Mahmud Abbas, anunciou que o Estado hebreu deverá responder por esse novo "crime de guerra" perante o Tribunal Penal Internacional. "Preparamos imediatamente o dossiê que será submetido ao TPI", disse.

Em um gesto pouco comum, Netanyahu telefonou para Abbas e expressou que ambos precisam lutar juntos contra o terrorismo, não importa de onde ele vier. "Todos em Israel estão comovidos por este ato terrorista condenável que atingiu a família Dawabcheh", afirmou Netanyahu, que visitou no hospital de Tel Aviv a família do menor morto.

Protestos de palestinos

Centenas de palestinos começaram a protestar em Ramallah, na Cisjordânia, e em Gaza na saída das mesquitas. Milhares de pessoas marcharam pela aldeia de Duma durante o funeral do bebê Ali Dawabcheh, de um ano e meio. Uma bandeira palestina envolvia seu corpo.

Segundo responsáveis de segurança israelenses e palestinos, na madrugada desta sexta-feira colonos lançaram coquetéis molotov contra duas casas de Duma, perto de Nablus, no norte da Cisjordânia, através das janelas, que estavam abertas devido às altas temperaturas.

Antes de fugir, picharam uma estrela de David nos muros e escreveram "o preço a pagar" e "vingança", dois dias após a demolição pelas forças israelenses de duas casas em obras em um assentamento próximo a Ramallah.

O bebê foi queimado vivo. Sua mãe Eham, de 26 anos, seu pai Saad e seu irmão Ahmed, de quatro anos, ficaram feridos e foram transportados a um hospital israelense. Uma menina também sofreu lesões, segundo várias fontes, e foi internada.

A mãe, com queimaduras de terceiro grau em 90% de seu corpo, o pai, em 80% do corpo, e Ahmed, em 60%, correm risco de vida, segundo os médicos israelenses.

Deter e julgar os assassinos

Há anos, ativistas de extrema direita israelenses ou colonos cometem agressões ou atos de vandalismo em Israel e nos territórios palestinos. Seus alvos são os palestinos, os árabes israelenses, os locais de culto muçulmanos e cristãos e inclusive os soldados israelenses. A maioria de suas atrocidades ficaram impunes.

"É um ato terrorista em todos os sentidos", denunciou Netanyahu. Seu ministro da Defesa utilizou o termo "terroristas judeus" para se referir aos autores.

Netanyahu ordenou "às forças de segurança o uso de todos os meios a sua disposição para deter os assassinos e levá-los à justiça", segundo um comunicado oficial.

Mas Saeb Erakat, número dois da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), estimou que "não é possível dissociar este ataque bárbaro" de um "governo que representa uma coalizão para a colonização e o apartheid".

Já o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, prometeu uma resposta "proporcional à gravidade do crime" e disse que os fatos "fazem com que seja legítimo qualquer ataque contra os soldados de ocupação e os assentamentos".

Polícia em alerta

Yaariv Oppenheimer, dirigente da Paz Agora, uma ONG israelense contrária à colonização dos territórios palestinos, diz que esse tipo de "agressões por parte dos colonos se converteu em uma verdadeira epidemia". Na rádio israelense, denunciou "a indulgência do governo com a violência antipalestina e os discursos de ódio".

As ONGs de defesa dos direitos humanos corroboram esses dados. Em maio, a organização israelense Yesh Din estimou que 85,3% das denúncias dos palestinos por ataques de colonos estavam arquivadas.

Prevendo manifestações, a polícia israelense se mobilizou em massa na cidade antiga de Jerusalém, sobretudo nos arredores da Esplanada das Mesquitas, cujo acesso está proibido aos homens com menos de 50 anos.

O enviado especial da ONU no Oriente Médio, Nickolay Mladenov, afirmou estar indignado com este ataque, que a Jordânia condenou como "um crime abjeto que poderia ter sido evitado. A União Europeia pediu, por sua vez, "tolerância zero com a violência dos colonos".

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