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Banco Central dos EUA aumenta juros pela primeira vez em sete anos

A presidente do Fed, Janet Yellen, em coletiva de imprensa em Washington nesta quarta-feira, 16 de dezembro.
A presidente do Fed, Janet Yellen, em coletiva de imprensa em Washington nesta quarta-feira, 16 de dezembro. REUTERS/Jonathan Ernst

O Banco Central norte-americano (Fed) anunciou nesta quarta-feira (16) um aumento histórico de sua taxa básica de juros. Em comunicado, o Comitê de Política Monetária da Entidade (FOMC) ressaltou que a decisão acontece pela primeira vez "em quase dez anos". A medida indica que os Estados Unidos deixaram a crise de 2008 para trás.

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A taxa interbancária, que desde 2008 estava entre 0% e 0,25%, foi aumentada em 0,25% e ficou entre 0,25% e 0,50%, anunciou FOMC. O passo dado pelo Fed inicia uma série de aumentos dos juros que o comitê de política monetária do organismo prometeu que será "gradual" e que acompanhará o ritmo da economia.

Até o final de 2016 os juros devem estar na ordem de 1,4%, indicou o FOMC no comunicado que encerrou dois dias de reunião. A decisão era esperada no mundo todo desde que os Estados Unidos confirmaram que o país cresce lentamente, embora de forma sustentável.

Fim do dólar barato

O Fed encerrou uma era em que injetou trilhões de dólares baratos na economia norte-americana, a fim de estimular a recuperação provocada pela maior crise econômica desde os anos 1930.

"Essa decisão marca o fim de um período excepcional de sete anos, durante o qual os juros foram mantidos em quase zero para sustentar a recuperação após a crise de 2008-09", disse a presidente do Fed, Janet Yellen. O aumento da taxa básica de juros "consagra também os consideráveis progressos feitos para reorientar o emprego (...) e aliviar as dificuldades econômicas de milhões de americanos", reiterou.

Nos últimos meses, o FOMC se mostrou reticente quanto a aumentar os juros, na medida em que, como a própria Yellen admitiu no início desse mês, a inflação norte-americana ainda é fraca e o mercado de trabalho mostra morosidade. Nesse contexto, vários economistas renomados, como Larry Summers e Paul Krugman, questionavam por que o Fed mudaria sua política ultraexpansionista neste momento.

No entanto, o FOMC foi unânime nesta quarta-feira e destacou que, neste ano, houve melhoras "consideráveis" no emprego. O comitê também disse estar "razoavelmente confiante em que a inflação crescerá no médio prazo até a meta de 2%". Para o FOMC, diante do panorama atual, esse é o momento para "ações de política que influenciem os futuros resultados econômicos".

Impacto global do aumento

Embora seja aplicada basicamente para os empréstimos interbancários de curtíssimo prazo, a taxa básica norte-americana serve de parâmetro para os prazos maiores em todo o sistema financeiro. Aumentá-la significa incrementar os custos para os créditos em dólares tomados por governos, companhias e consumidores. Ao mesmo tempo, garante lucros maiores aos depositantes bancários.

Para os países emergentes, vários deles com sérios problemas como o Brasil, a decisão pode encerrar quase uma década de bonança, graças ao dólar barato. Os capitais que buscavam um rendimento maior podem agora se dirigir ao dólar, acentuando problemas atuais desses países.

O economista-chefe da High Frequiency Economics, Jim O'Sullivan, estima que os juros subirão mais rápido do que o Fed sugeriu hoje. "Continuamos céticos em relação ao ritmo de aumento, se será tão gradual quanto foi sugerido, especialmente porque acreditamos que o desemprego seguirá em queda e, eventualmente, isso pode gerar pressão sobre a inflação", comentou.

(Com informações da AFP)

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