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Cameron chama de "estúpidas" declarações de Trump sobre muçulmanos

O primeiro-ministro britânico, David Cameron
O primeiro-ministro britânico, David Cameron REUTERS/Suzanne Plunkett

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, classificou nesta quarta-feira (16) como "segregadoras, estúpidas e erradas" as declarações islamofóbicas de Donald Trump. O candidato a candidato republicano para as eleições presidenciais norte-americanas defendeu o fechamento das fronteiras dos Estados Unidos aos muçulmanos, gerando uma onda de protestos pelo mundo. No Reino Unido, uma petição pedindo que o bilionário fosse proibido de entrar no país reuniu centenas de milhares de assinaturas, mas Cameron descartou a possibilidade de fechar as portas a Trump.

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Em resposta a uma deputada que pediu que o republicano fosse barrado em terras britânicas, o premiê considerou que "se viesse ao nosso país, nos uniríamos contra ele". E acrescentou que concorda em "excluir pessoas que vão radicalizar os demais ou encorajar o extremismo", mas que não pretende excluir Donald Trump. O bloqueio do passaporte é previsto na lei britânica e costuma ser determinado contra pessoas cujos posicionamentos públicos são considerados uma incitação ao ódio.

O empresário, que aspira concorrer às eleições presidenciais de 2016 pelo Partido Republicano, recebeu uma chuva de críticas por sua proposta de "fechamento total e completo" das fronteiras aos muçulmanos, em particular no Reino Unido, que chamou de exemplo do fracasso da integração dos muçulmanos. Mais de 560 mil pessoas assinaram um manifesto na internet contra a presença de Trump na Grã-Bretanha e endereçaram o texto ao Parlamento.

Três vezes perdedor

A revolta contra ele no Reino Unido não parou por aí. O bilionário perdeu o título honorário de embaixador comercial do governo regional da Escócia - terra da mãe de Trump, onde o bilionário mantém dois campos de golfe -, além do doutorado honoris causa, que tinha por uma universidade escocesa. Nesta quarta-feira, o possível pré-candidato republicano sofreu mais um revés no país: a Corte Suprema rejeitou por unanimidade um recurso que ele apresentou contra a construção de um parque de energia eólica ao redor de seu luxuoso campo de golfe em Aberdeen.

Trump reagiu com sua agressividade costumeira, dizendo em comunicado que "a história condenará os responsáveis (pelo veredicto) e esse resultado mostra a mentalidade estúpida e estreita e o espírito provinciano que motivam a perigosa experiência empreendida pelo atual governo escocês com a energia eólica". Em sua opinião, o projeto é "apenas uma postura delirante" que devastará a "idílica baía de Aberdeen" e abalará o turismo e a economia da Escócia.

Em resposta às bravatas, o ex-primeiro-ministro escocês Alex Salmond, que dirigia o país à época da aprovação do projeto, disse simplesmente que Donald Trump é "três vezes perdedor". "Pela sua maneira de tratar os escoceses, os americanos de origem escocesa vão, provavelmente, se juntar à lista cada vez maior de pessoas que têm repulsa por Trump", declarou.

Uma dos novos nomes na lista foi o da nobel da Paz Malala Yousafzai, que é muçulmana e vive em Birmingham. Na terça-feira (15), ela condenou a "ideologia do ódio" de Trump durante uma cerimônia em memória das 134 crianças que morreram há um ano em um ataque dos talibãs no Paquistão. "A verdade é que é realmente trágico ouvir estes comentários que estão cheios de ódio, cheios de ideologia preconceituosa", disse Malala à AFP.

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