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Brasil-América Latina

Brasileiros lucram com produtos contrabandeados da Venezuela

Áudio 04:14
A desvalorização da moeda venezuelana estimula os contrabandistas a vender produtos para os países vizinhos.
A desvalorização da moeda venezuelana estimula os contrabandistas a vender produtos para os países vizinhos. Foto: REUTERS/Marco Bello

O contrabando de produtos da Venezuela para o Brasil continua intenso, beneficiado pelas operações consideradas “tímidas” do lado brasileiro. Isto porque o governo de Nicolás Maduro se preocupa mais em controlar o fluxo ilegal de mercadorias para a Colômbia, cuja fronteira permanece fechada desde agosto de 2015.

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Por Elianah Jorge, correspondente da RFI Brasil em Caracas,

A desvalorização da moeda venezuelana, maior do que em países vizinhos, torna os produtos bem mais baratos, o que sido um grande atrativo para os revendedores. Muitos deles estão ganhando rios de dinheiro ao se arriscarem a cruzar a fronteira da Venezuela com o Brasil com quantidades de produtos regulados por Caracas.

No lado venezuelano, o controle feito pela Guarda Nacional Bolivariana é mais rígido. Um morador de Boa Vista, capital de Roraima, que prefere não se identificar, testemunha: “Quando passa para o lado do Brasil também é ilegal. Mas é menos perigoso porque aqui você só pode perder (a mercadoria), não vai preso”.

Foi o que aconteceu com as brasileiras Luciana Pereira e Lousineide Sousa Silva, que ficaram presas por suspeita de contrabando em 2014. Pelas redes sociais, as duas relatam os horrores que viveram na prisão venezuelana.

De acordo com uma entrevista dada a uma TV local pelo delegado da Receita Federal em Roraima, Omar Rubim, “a Receita confirma que há fiscalização, mas não há como coibir amplamente e cobrir os quase dois mil quilômetros de fronteira”. Segundo Rubim, "o prejuízo causado pelo contrabando recai principalmente sobre a indústria brasileira. Só no ano passado foram apreendidos mais de 800 mil itens na fronteira com a Venezuela".

Lucros de até 2.000%

O baixo valor do Bolívar frente ao Real é apontado como o principal motivo para que os atravessadores se arrisquem. No lado brasileiro eles conseguem revender as mercadorias por um preço até 200 vezes superior ao que foi comprado. O produto venezuelano, na maioria das vezes, é revendido nas feiras livres, onde o controle é mais fraco que no comércio formal.

Produtos que sumiram das prateleiras na Venezuela, como pasta de dente, são encontrados em abundância em Boa Vista. “Faz muito tempo que eu não compro leite aqui de Boa Vista. Eu só compro leite da Venezuela, que sai bem mais em conta. Uma lata de leite Nan aqui está numa faixa de 70 e poucos reais. E dá para conseguir por 30 ou 35 reais”, diz uma moradora da capital de Roraima que prefere não se identificar. Ela também diz compra quatro tubos de pasta de dente da Venezuela por R$10, valor que corresponde a um só produto de uma marca brasileira.

De acordo com fontes ouvidas pela RFI, em Boa Vista a oferta de produtos contrabandeados é tão grande que vai de refrigerantes, farinha de milho, passando por remédios e até gasolina. O lucro de quem contrabandeia combustível é de mais de 2.000%, o que permite que no lado brasileiro a gasolina seja revendida “até com desconto”. “(O litro de gasolina) deve estar na faixa de R$2,50 a R$3 reais o litro, mais ou menos. A diferença chega a um real, um real e pouco, às vezes até dois reais”, diz um comprador. Em Boa Vista, o litro da gasolina vendido em postos legalizados custa até R$4,10.

Pelos relatos, a impressão é de que a indústria venezuelana é tão pujante que há produtos suficientes para exportação. No entanto, essa situação ainda está longe de traduzir a realidade. A exceção é o petróleo, único produto que a Venezuela exporta.

 

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