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Linha Direta

Possível relação do Zika com doenças cerebrais preocupa Colômbia

Áudio 04:03
Uma mulher grávida recebe uma aplicação de repelente em Soledad, perto da cidade de Barranquilla, na Colômbia.
Uma mulher grávida recebe uma aplicação de repelente em Soledad, perto da cidade de Barranquilla, na Colômbia. REUTERS/Aleydis Coll/Soledad Municipality

A Colômbia está em alerta para descobrir relação entre casos de microcefalia e síndrome de Guillain-Barré com o vírus do Zika. O país já apresenta maior número de casos registrados da doença provocada pelo transmissor Aedes Aegypti, depois do Brasil.

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Mariana Clini Diana, correspondente da RFI Brasil, em Bogotá.

A síndrome de Guillain-Barré, doença autoimune que ataca o sistema nervoso, já era conhecida na Colômbia. Porém, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nos últimos 6 meses triplicou o número de pessoas identificadas com a doença. Esses casos de Guillain-Barré também apresentavam sintomas do vírus do Zika. No entanto, a OMS chama a atenção para o fato de que ainda não foi comprovado de forma científica que o vírus esteja relacionado diretamente com a síndrome de Guillain-Barré.

O ministro da Saúde da Colômbia, Alejandro Gaviria, em uma coletiva de imprensa, afirmou que apesar de a Colômbia não apresentar até o momento casos de microcefalia supostamente relacionados com o vírus Zika, o governo se manterá em alerta já que a situação poderá se tornar grave, como no Brasil, com o passar do tempo. A projeção do Ministério da Saúde é de que o país apresente em torno de 500 casos de microcefalia, e de 1.000 casos de Guillain-Barré.

Medidas adotadas pelo governo

O país tem 20.500 casos oficiais registrados de Zika, mas estima-se que o número pode ser quatro vezes maior, já que muitos casos de pessoas infectadas não entraram ainda nas estatísticas. Entre os casos já reportados, aproximadamente 2.100 são de gestantes que estão em observação para detectar se existe alguma anomalia cerebral no feto.

Da mesma forma, o Ministério da Saúde também está monitorando as possíveis mortes de Guillein-Barré associadas ao vírus Zika. Segundo o Instituto Nacional de Saúde da Colômbia, foram registradas até o momento três mortes em território colombiano pelo vírus e as vítimas também apresentavam a síndrome.

Prevenção de futuros contágios

O governo colombiano está realizando um plano de prevenção que inclui medidas de comunicação de risco, oficinas de capacitação para prevenir a proliferação do mosquito e de educação sexual diante da hipótese de transmissão do vírus pelas relações sexuais. Em Cartagena, por exemplo, a prefeitura está fazendo uma maratona para coletar pneus abandonados, possível lugar de acúmulo de água, e que pode contribuir para a reprodução do mosquito.

O governo também criou uma linha telefônica para que a população possa fazer denúncias de possíveis focos de proliferação do mosquito, e também criaram a hashtag #ControlAlZica, voltada para que os usuários das redes sociais também façam suas denúncias.

Impacto da doença

Os colombianos foram aconselhados pelo governo a evitar viagens para as regiões de maior risco de contágio,
ou seja, em áreas de clima quente e com altitude inferior a 2.100 metros. Porém, até o momento, não existem dados sobre uma mudança de atitude dos turistas dentro da Colômbia.

No recente carnaval de Barranquilla, o vírus não impediu os colombianos de aproveitarem a festa. Apesar de as filas dos hospitais terem aumentado com pessoas apresentando os sintomas da doença, a cidade não obteve uma queda no número de visitantes.

A situação, pelo contrário, trouxe uma oportunidade de negócios para os vendedores ambulantes, que junto com fantasias e acessórios de carnaval, também vendiam repelentes. Mas, diante da previsão de aumento do número de casos, alguns meios de comunicação do país já estimam que isso possa gerar um impacto negativo no turismo e na economia do país em um futuro próximo.

 

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