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Linha Direta

Democrata Bernie Sanders surpreende ao vencer primárias em Michigan

Áudio 04:21
Bernie Sanders venceu as primárias de Michigan
Bernie Sanders venceu as primárias de Michigan REUTERS/Rick Wilking

Na terça-feira (8), os Estados Unidos viveram a chamada “segunda super terça-feira”, quando votaram também os eleitores do Michigan, Mississipi, Idaho e Havaí, sendo que, nestes dois últimos estados, houve apenas votação entre os republicanos.

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Eduardo Graça, correspondente da RFI em Nova York

A disputa pela Casa Branca vai chegando a um momento decisivo para os dois principais partidos nos Estados Unidos. Enquanto, entre os republicanos, Donald Trump, apesar da resistência dos caciques do Partido, vai abrindo uma vantagem cada vez maior, a surpresa da noite de ontem foi a vitória, ainda que apertada, do senador socialista Bernie Sanders. Ele venceu no estado industrial do Michigan, derrotando a ex-primeira-dama Hillary Clinton e embolando novamente as primárias democratas.

No sulista Mississippi, o resultado mostrou a vitória já esperada de Trump e Hillary. Em Idaho, Ted Cruz venceu a disputa e, no Havaí, a vitória foi de Trump. Apesar de estar à frente em todas as pesquisas, Hillary Clinton perdeu para Bernie Sanders em Michigan, por conta da imensa vantagem aberta por ele entre os eleitores jovens, de 18 a 29 anos, e os trabalhadores de classe média-baixa.

Derrota de Hillary foi inesperada

Foi uma derrota que a campanha de Hillary não esperava. Mas como a vitória de Bernie foi apertada, e Hillary, por sua vez, venceu de lavada no Mississippi, com o maciço apoio dos eleitores negros, a ex-primeira-dama acabou reunindo mais delegados, o que no fim se tornou o troféu mais importante da noite.

Os problemas para Hillary são dois: Bernie prolongou uma campanha que parecia estar chegando ao fim, e a ex-secretária de Estado se mostrou vulnerável em dois grupos importantíssimos para a eleição em novembro. Quem prestou bastante atenção nessa fragilidade da adversária foi Donald Trump, que, mais uma vez, mostrou sua força na terça-feira.

Depois de perder para Ted Cruz no Maine e no Kansas, o magnata precisava vencer bem em Michigan para refutar a tese de que sua candidatura estava perdendo fôlego. E ele teve uma semana muito difícil: enfrentou ataques duríssimos de Mitt Romney, o candidato republicano à presidência em 2012, e de John McCain, o candidato de 2008, que o acusaram de fazer uma campanha amoral.

Também teve de ouvir seguidas declarações de seus adversários diretos, os senadores Ted Cruz e Marco Rubio e o governador John Kasich, de que, se vitorioso nas primárias, ele vai implodir o Partido Republicano. E o ex-prefeito de Nova York Mike Bloomberg anunciou que não se candidatará como independente para não dividir o voto dos moderados e assim facilitar a vida de Trump, a quem chamou de demagogo e responsável por uma campanha calcada no preconceito e no medo das pessoas.

Marco Rubio continua sendo a grande decepção

Trump venceu tanto no sulista Mississippi quanto no muito mais moderado Michigan. Marco Rubio, por sua vez, segue sendo a grande decepção para o establishment do partido, com muito menos votos do que o esperado.

O que ficou claro é que a eleição republicana, ao contrário da democrata, pode de fato se decidir na semana que vem, na chamada “terceira super terça-feira”, quando votam os importantes estados da Flórida, Ohio, Missouri, Illinois e Carolina do Norte. Nestes estados, no lado republicano, com a exceção do Illinois, quem chegar em primeiro leva todos os delegados: lá as disputas não são proporcionais.

Se Marco Rubio não conseguir vencer em seu estado natal, a Flórida, a tendência é que ele abandone a disputa. As pesquisas atuais o colocam em um distante segundo lugar, atrás de Trump, que, não por acaso, passou a terça-feira na Flórida.

Em Ohio, a disputa é mais apertada, mas Trump também aparece à frente do governador Kasich que, exatamente como Rubio, se não vencer em seu estado natal, também será pressionado a dar adeus à disputa. Resta saber se os dois irão transferir seus delegados para Cruz e a corrida republicana, na segunda quinzena de março, se solidificará entre Trump e Cruz, com imensa vantagem para o primeiro.

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