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Colômbia

Colômbia e Farc desistem de assinar acordo, mas continuam a negociar

O líder das Farc, Timoleón Jiménez, conhecido como "Timochenko", em imagem de arquivo.
O líder das Farc, Timoleón Jiménez, conhecido como "Timochenko", em imagem de arquivo. AFP PHOTO / Yamil Lage

A guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo da Colômbia desistiram do prazo fixado para assinar o acordo de paz, dia 23 de março. No entanto, deixaram em aberto a opção de prorrogar as negociações para encerrar mais de 50 anos de conflito armado. O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e a guerrilha confirmaram a informação nesta quinta-feira (10).

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O primeiro a admitir a necessidade de prorrogação dos diálogos foi o chefe de Estado colombiano, na quarta-feira (9). "Depois de tanto esforço, depois de tanto tempo, se não alcançarmos em 23 de março um bom acordo, digo à outra parte que determinemos outra data, porque não vou cumprir um prazo com um mau acordo", afirmou Santos.

O líder das Farc, Timoleón Jiménez, conhecido como "Timochenko", reforçou as declarações. "Concordo com o presidente Santos que, para 23 de março, é impossível chegar a um acordo", escreveu em sua conta no Twitter.

Em Cuba, país que faz a mediação entre as duas partes, o negociador das Forças Revolucionárias da Colômbia em Havana, Joaquín Gómez, já havia apoiado a posição do presidente. "Acreditamos que o presidente Santos agiu com objetividade e estamos de acordo com o que ele disse. Achamos que, sim, que depois do dia 23, pode haver um acordo", afirmou Gómez à imprensa.

O negociador insistiu que "não há condições" de concluir um acordo no prazo de seis meses inicialmente estabelecido por Santos e Timoleón Jiménez no ano passado. "Concordamos em acertar outra data", acrescentou Gómez.

Nova data de encontro entre governo e Farc não foi estabelecida

Dessa maneira, as Farc e o governo de Santos abriram caminho sobre uma prorrogação das discussões para fechar um compromisso que termine com meio século de conflito com a guerrilha. Após depor as armas, a rebelião espera se transformar em um partido político.

Não foi marcada, porém, uma nova data para o encontro entre as duas partes. Por parte das Farc, acredita-se que o acordo possa ser assinado até o final do ano.

O prazo de 23 de março tinha alimentado uma expectativa maior pela visita histórica que fará o presidente americano Barack Obama a Cuba entre 20 e 22 deste mês. Washington - que financiou durante anos a luta contra as Farc - apoia as negociações com esta guerrilha.

Zonas de desarmamento das Farc estão a por definir

Atualmente, a guerrilha e o governo colombiano estão negociando um cessar-fogo bilateral definitivo, que inclui o desarmamento da rebelião, além do mecanismo de referendamento dos acordos, últimos pontos do processo de paz acompanhado por Cuba, Noruega, Chile e Venezuela.

As duas partes já alcançaram um consenso parcial sobre a reforma agrária, a luta contra o tráfico de drogas, a participação política dos combatentes, a justiça e a indenização às vítimas. Agora, debatem as complexas questões relativas ao fim do conflito, como o cessar-fogo e a entrega definitiva das armas.

Há oito meses, as Farc cumprem uma trégua unilateral, e o governo mantém suspensos os bombardeios contra esta organização de sete mil combatentes. No entanto, o conflito com a organização rebelde Exército de Libertação Nacional (ELN) e com grupos de origem paramilitar continua.

Negociador das Farc pede que governo seja "consensual"

Na quinta-feira, Gómez voltou a pedir ao governo que não aja sem consenso prévio na mesa de diálogo. O Congresso colombiano aprovou uma lei que permitirá o desarmamento da guerrilha. Mas o negociador das Farc lembrou que ainda não foram definidas as regiões da Colômbia onde os guerrilheiros permanecerão durante o processo de deposição das armas. "Isto não foi definido e nossa posição (...) é que [o governo] tem que ser consensual", insistiu.

O grupo marxista também questiona a intenção de Bogotá de arrecadar doações internacionais de US$ 3,3 bilhões para financiar os acordos de paz e alertou para o risco de que os recursos possam "ser investidos em programas assistencialistas, ou em paliativos que não resolvem os problemas de fundo".

"Os recursos de cooperação internacional projetados pelo governo parecem exíguos para a implementação efetiva do acordado, o que não exclui que possam se transformar no pomo da discórdia para a classe política", destacaram as Farc em um comunicado.

O conflito interno na Colômbia, que por mais de cinco décadas envolveu guerrilheiros, paramilitares e militares, deixou oficialmente 7,5 milhões de vítimas, incluindo 260 mil mortos, 45 mil desaparecidos e 6,6 milhões de deslocados.

(Com informações da AFP)

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